sábado, 1 de dezembro de 2007

Marconi Lira

No parque...

Como de costume lá vamos nós em busca de um bando desocupado no parque. Procuramos, olhamos, e parece que todos os casais escolheram aquele dia especificamente para ir ao parque também. Após uma curta, mas receosa (de não encontrar um banco vazio) caminhada, finalmente encontramos um banco desocupado, e dos melhores, comprido com tábuas largas e de certo modo confortáveis. Só que ele está a vários passos de nós e percebemos outro casal demonstrando vivo interesse em se apossar de nosso objetivo. Olho para ela e ela para mim, sem dizer palavra, apressamos o passo para tomar posse do nosso alvo. Ela dá um leve risinho por perceber quão boba é nossa atitude. Chegamos a tempo e sentamos. O outro casal parece ter avistado outro banco e mudaram de direção. Colocamos nossas mochilas de lado, posicionamos nos espaços entre as tábuas do banco os cocos que compramos para tomar. Abrimos a sacola contendo os dois yakisobas. Comemos, eu com muito mais apetite que ela; eu gosto mais, deve ser por isso. Feitas nossas refeições, deito no banco e apoio minha cabeça no colo dela. Ela carinhosa como sempre, alisa meus cabelos, me olha nos olhos e sorrir. Também a olho e sorrio admirando aquele belo sorriso. Começo a olhar os outros casais naquelas posições de praxi, salvo raras exceções nos mesmos movimentos de sempre e tudo mais. Olho para a luz do poste e ela me fere os olhos me causando uma desagradável sensação. Fecho os olhos e ponho o braço para cobri-lo da luz incômoda. Então ela pergunta como foi meu dia no trabalho. Pronto, vêm à tona todos os estresses armazenados durante aquele dia. Começo(entre impropérios) a falar todos os problemas que tive durante o dia. Falo, falo e falo. Ela sorrir, me beija na testa e acariciando meu rosto me manda ter calminha, dizendo que o dia no trabalho já acabou e que nada mais importa. Amanhã será um dia bem melhor, meu amor, ela diz. Sua voz e seu jeito de falar são calmantes poderosos. Já com a calma restabelecida pergunto a ela como foi seu dia de trabalho. Ela de temperamento bem mais calmo que o meu, fala com serenidade sobre os problemas que teve durante o dia, não esquecendo das coisas boas que por ventura tenham ocorrido. Após isso, mudamos de assunto e falamos sobre o futuro. Que vida feliz.

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