quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Hiji

Efeitos sem causa( parte1)
___Ele era um sujeito calmo, simpático, tímido até. Mas frente a mudanças repentinas, as pessoas mudam. Depois de um assalto, sua mãe, sua tia e seu primo pequeno foram mortos. Levaram não só celulares, bolsas e dinheiro, mas também três vidas inocentes de seus entes queridos. Destruíram sonhos.
___Odiou a humanidade.
___Passou a andar armado, uma faca escondida na cintura. Andava destemido, como se a faca espantasse qualquer mal que porventura aparecesse. Mas ele era um sujeito calmo, simpático, tímido até. Não teria coragem de usar a arma nem mesmo para cortar uma cebola.
___Nessas andanças, já tarde da noite, foi abordado enquanto passava por uma rua deserta. Sentiu o corpo tremer. O ladrão apontou uma faca e pediu seus pertences. Foi pegar a carteira, mas puxou a faca.
___Num piscar de olhos a arma estava profundamente enfiada no pescoço do bandido, até o cabo, perfurando a traquéia. Os olhos dele esbugalharam-se, soltou um gemido quase inaudível. Sentiu o sangue escorrer quente e viscoso pela sua mão. Um sorriso sinistro brotou dos seus lábios. Desembainhou a faca do pescoço e a recolocou diversas outras vezes. A cabeça pendeu e rolou no chão.
___Ajoelhou-se.
___Ajoelhou-se e dissecou o corpo. As vísceras saltavam pelo abdomen. As costelas estavam à mostra. Por entre elas enfiou a faca no coração que aos poucos estava parando. Retirou um lenço do bolso, limpou a arma e guardou. Colocou um bilhete dentro da boca do cadáver.Foi embora.
___Não havia sido o primeiro cadáver, já havia matado outros três. Um por sua mãe, um por sua tia, um por seu primo. Sentia-se satisfeito em tê-los vingado, embora não fizesse a menor noção de quem eram os bandidos, julgou o acaso parte de sua vingança. Mas havia matado o quarto. Por pura e simples diversão. Não sabia explicar o porquê, mas ficava em êxtase quando sentia o cheiro do sangue, a lâmina afiada entrando e rasgando a pele do seu alvo.
___Por um momento esqueceu os pensamentos e adormeceu. E teve bons sonhos.
Continua...

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