Cinco, quatro, três...dois... ... ... um!
--Ufa! Até que enfim são 21h00!!!- pensou. Agora já posso entrar em casa!
Jorge era um sujeito extremamente pontual, doentemente pontual. De acordo com sua inseparável companheira agenda, ele deveria chegar em casa às 21h, mas não por volta disso, sim exatamente às nove horas da noite em ponto! Quando, por um motivo qualquer, chegava alguns minutos antes, esperava ansioso em frente à porta, acompanhando cada milésimo de segundo como se aguardasse a explosão de uma bomba atômica que determinaria a extinção da vida no planeta. Sua tensão era tanta que o coração acelerava, o ar lhe faltava tornando a respiração ofegante, o corpo suado vibrava a cada segundo... Parecia estar lutando pela vida em um campo de batalha cheirando a sangue e cheio de cadáveres, equilibrando-se na tênue linha que separa nossa fútil existência de um simples corpo inanimado degradando-se ao relento. Nesse momento a imagem de Jorge representava o homem nos fins dos tempos, em pleno apocalipse, onde os deuses e anjos desceram à Terra para o Juízo Final.
Uma vez dentro de casa, aliás, do apartamento, Jorge seguia metodicamente o horário pregado na geladeira, no guarda-roupa, no espelho do banheiro... Comia, tomava banho, mijava, dormia, tudo no tempo meticulosamente planejado. Seu lema era fazer "a coisa certa na hora certa", o que levava extremamente à risca. Acreditava que assim pouparia preocupações futuras, então mantia tudo sobre esmerado controle. Não se apressava nem se atrasava.
Continua ( tenho que sair da net)...
Nenhum comentário:
Postar um comentário