quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Hiji Henrique

Marte

Porte.
Transporte.
Comporte.
Morte.

Arte.
Parte.
Reparte.
Limpar-te.

Sorte.
Morte.
Arte.
Marte!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Milena de Andrade

O que ele não sabia é que um presente pode ser uma coisa e pode ser outra. Na verdade, nem eu sabia o que poderia ser um presente para um ex-interno de um hospital. Falei com a Rafa, ela me deu 20 paus. Pedi uma roupa limpa, toalha e fui tomar banho. O Z demorou demais no banheiro, de modo que tive que bater na porta pra ele sair mais rápido. Tomei banho. Enquanto eu estava sob aquele jato de água gelada, pensava no que poderia dar de presente pro Bio. Não sei o que me levou a dizer que ele seria presenteado. Não sei, mas sentia que deveria dar alguma coisa que realmente importasse pra mim e pra ele. Durante o banho pensei em palavras novas a serem inventadas e pensei o quanto era bom o sentimento de liberdade. Logo me veio a expressão: alma que voa. Ao chegar na sala novamente, o vi sentado no sofá com a Rafa e o Z, acho que estavam falando de mim, não sei, mas se calaram quando eu apareci. Não quis perguntar nada e nem entender aquilo, apenas olhei pro Bio e disse: - alma que voa. E ele ficou sem entender nada. Saí.

As ruas eram estranhas. Nem parecia que eu estava morando em São Paulo há 11 anos. Eu não tinha mais referências de bairros, nada. Tudo que eu me lembrava referia-se ao Recife e à minha infância. Lembrava do parque 13 de Maio, do parque da Jaqueira e do Recife Antigo aos domingos. Fui até o ponto de ônibus e perguntei como fazia pra chegar na Paulista e um senhor me indicou a linha. Durante todo aquele trajeto eu me perguntava se deveria voltar ao Recife, o que eu daria de presente ao Bio e como eu iria reconstruir a minha vida ao lado daqueles desconhecidos. Eu não queria voltar a ser quem eu era no sentido de querer procurar meus antigos amigos, minha companhia de balé, meus alunos, minha mãe no Recife. Nada daquilo me pertencia mais. Eu agora era um começo, e um começo sem voltas.

De volta à casa da Rafa depois de andar a tarde toda pelo centro (e até acabei dando uma passadinha no Ibirapuera pra caminhar e dançar ao ar livre) chamei o Bio até a cozinha e entreguei-lhe a sacolinha com meus presentes.

- Isso é tudo que consegui comprar e também é tudo que significa pra nós dois quase as mesmas coisas.

- Obrigado. (abrindo o saco)

- O que me diz? Vamos escrever muitas coisas juntos? Palavras, haikais, crônicas, poesias?

- Cara, que legal! Valeu! Tava mesmo precisando de um caderno em branco.

- De nada.

Comprei um caderno todo em branco para ele e outro para mim com dois lápis e duas borrachas. Agora nós poderíamos escrever e desenhar tudo o que quiséssemos.

Começava ali alguma coisa, gosto de chamar de gota de cumplicidade. Amizade pra quem quiser.

domingo, 28 de outubro de 2007

Marconi Lira

O que importa.

Meu Deus.
Minha família.
Meu amor.
Minha amizade.
Minha saúde.
Meu coração.
Meu talento.
Meu desejo.
Meu poder fazer.
Meu conseguir.

Ah! Que coisas maravilhosas!

São minha vida!

Marconi Lira

Respostas

É claro que eu te amo! Por quê?
*
Ah! Era uma amiga minha que há muito tempo não via.
*
De onde você tirou essa idéia? Nada a ver. Ela é só uma amiga.
*
Que absurdo! Não houve nada disso, você está vendo coisas demais!
*
Mas não estou mentindo!
*
Mas meu amor, eu estou dizendo a verdade! Por que eu mentiria? Será possível! Ela é apenas uma amiga! Só uma amiga, entendeu?
*
Tire isso da cabeça, por favor. Não tem nenhum fundamento.
*
Meu Deus! De novo! Eu não estou mentindo! Quantas vezes terei que repetir isso?
*
Olhe; calma, você bem sabe que eu seria incapaz de fazer tal coisa, não sabe?
*
Pare com isso, meu anjo. Esqueça isso, por favor! Estávamos indo tão bem. Vai se por nada que vamos estragar nosso relacionamento?
*
Então meu bem, esqueça essas bobagens. Eu te amo e você sabe!
*
Nada de mas, minha linda. Esqueça isso e pronto. Escute, qualquer dia eu te apresento a ela, tá? Aí você verá como ela é uma pessoa maravilhosa.
*
Certo, você que sabe. Mas vamos mudar de assunto. Queres sair hoje?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Maria Eduarda Neves

Vários bisquits cafonas enfeitavam a prateleira de mogno frutos de suas viagens guardadas em álbuns de fotografia que estavam no baú carcomido pelas traças que devoraram lembranças de tempos que nunca vão voltar tempo de amores não vividos, cartas embaladas em laço de cetim guardadas na caixinha de bijouteria na segunda gaveta do criado mudo ao lado da cama que um dia foi de sua falecida bisavó portuguesa que usava xales enormes e fedorentos cheios de broches antigos de santos iguais àqueles que estavam no altar que sua mãe tinha feito em memória dos entes queridos que partiram dessa pra uma melhor e eram tão amáveis com sua pequena que brincava nos corredores do velho casarão em péssimo estado numa rua que já foi gloriosa em outros tempos mas agora só abriga casebres e bares de bêbados imundos que deixam ligado sons hediondos na rua justo na hora em que ela gostava de ler um desses romances de que ela comprava na barraca do Seu Silva que era casado com a menina que fazia faxina na sua casa toda terça feira pela tarde e que todas as vezes antes de ir embora comentava que uma onda de gripe assolava pelo bairro que agora alem dos casebres e dos bares de bêbados imundos tinha uma relojoaria de uma velha que falava ofegante que tem em sua casinha uma prateleira de mogno com vários bisquits cafonas.

Maria Eduarda Neves

Sonhar faz mal, nunca ninguém que sonhou chegou a ser feliz, sonhar é ter ilusão de que se pode ser feliz, acho que na verdade sonho é a felicidade em dois minutos em uma noite fustrada. Odeio sonhar, toda vez que aquilo que eu queria acaba junto ao meu sono me sinto tão péssima. Gosto de ter pesadelos, ai sim! Como são bons, no maximo eles podem ser a realidade e quem disse que realidade tem que ser bom, né? Depois que Craudinha disse que uma tal d Macabea que ela leu nesses livro de colégio, morreu por sonhar desisti de sonhar. Um dia desses quando esqueci de não sonhar queimei a única roupa bonita que eu tinha,parecia de granfina cheia de lantijola, e eu ia justo com essa brusa pro baile sábado pra me arranjar, dizem que dá tanto moço bonito por lá que parece aqueles artista de tv!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Milena de Andrade

Acordei com a cabeça girando naquele dia. Senti que alguma coisa estranha e nova aconteceria, estava por vir, mas não sabia o quê. As coisas naquele lugar caminhavam na mais perfeita ordem, mas sabe-se lá qual era a ordem daquilo. Nunca entendi bem o porquê estava ali. Gostava de pensar que era como uma colônia de férias, um acampamento por tempo indeterminado, mas eu bem sabia que não era. Tinha saudade dos palcos, das piruetas, dos saltos, das saias, das malhas cor-de-rosa e do cabelinho todo preso num coque no alto da cabeça. Tinha saudade de um monte de gente, de coisas e cheiros que ficaram para trás desde que fui internada naquele hospital psiquiátrico.

Segundo dizem, tive aquele surto depois que não fui chamada para integrar o balé da Rússia, isso mexeu demais comigo. Fiquei de um jeito que não conseguia mais fazer as coisas normalmente, além de não querer mais dançar. Estranho, afinal, a Bailarina nunca pára de rodopiar, seja ao som dos bandolins ou não. Mas eu parei. Chamo-me Milena, mas quase ninguém me chamava assim, desde os tempos da escola de dança que me chamavam de ‘A Bailarina’. Graciosa e sorridente, sempre disposta a fazer o que fosse preciso e também o que não fosse. Sagaz e audaz, esses dois adjetivos me definiam bem.

Desde que fui internada na “colônia de férias”, há exatos 7 meses, sentia-me confortável, porém só. Nunca quis fazer amizade com ninguém por lá e depois de uns dois meses de indisposição voltei a dançar pelos corredores do hospital, como que num palco. Sem pudores e sem vergonhas, apenas dançava coreografias imaginadas na hora ou repetia aquelas que já havia dançado outrora. Ouvia os comentários das pessoas pelos corredores, mas fingia que não ouvia nada. Sempre os mesmos: “Olha lá, a bailarina dançando mais uma vez. Será que ela é doida de verdade?” ou ainda “Essa menina não parou de dançar o dia todo, ela vai acabar desmaiando.” Nunca dei ouvidos àqueles caretas.

Mas, aquele dia estava estranho... Senti no clima, no olhar de alguns delinqüentes insanos que aquilo ali estava confuso. Passei a manhã inteira quieta, imaginando como seria retomar a vida depois que deixasse a “colônia” e como seria voltar a dançar. Será que eu voltaria a dançar? Será que eu seria chamada novamente para integrar outro balé tão importante? Eram tantas dúvidas e questões na minha cabecinha que eu preferia só observar aquela cena. Nada aconteceu. Até que um louco esmurrou um enfermeiro e tudo que eu estava sentindo se materializou ali na minha frente. Corri. Até o meu quarto e tratei de calçar as sandálias e sair correndo até o pátio novamente. Podia ser uma rebelião, podia ser uma tentativa de homicídio, eu tinha que saber. Tudo foi muito rápido, eles estavam mesmo com tudo bem planejado. Assisti tudo de camarote e quando gritaram que era o dia da esbórnia tratei de sair dali. Mas saí calma e andante. Sem euforias. Não queria parecer mais uma louca no meio daqueles tantos que corriam pela rua como ex-reféns. Eu fui tranqüila e calada. Quando avistei aqueles que eu julguei serem os idealizadores do movimento libertador, segui-os de maneira sutil e sem que me vissem. E quando entraram naquela casa, tive a plena certeza de que deveria tocar naquela porta. E o fiz.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

André Nunes



A lendária flor de lótus


No coração das entidades vivas existe uma Alma Divina, que sempre protege e orienta. Mas nem sempre essa Alma é ouvida pela entidade, que as vezes abandona e a rejeita. São contadas como era das trevas... que enfraquece todos e depois destroem.
E é quando isso acontece que Ela, a grande Alma Divina, aparece uma vez no mundo pessoalmente para trazer de volta a luz. Sobre várias formas, Ela já apareceu como peixe; tartaruga; javalí; metade-homem, metade-leão; salvador; iluminado... mas agora Ela virá numa forma muito diferente das demais. Na forma de uma atraente e bela mulher ruiva de olhos azuís.
Seu nome é Tanaojin.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Amanda

Tosca, a mosca
Na cozinha, enquanto a água ferve MÃE corta o queijo.
PAI já está vestido para o trabalho.
Ele vai para sala, se senta no sofá e lê o jornal enquanto o café não está pronto.
Bzzzzzzzzzzzzzz
Um zumbido irritante o ronda.
Bzzzzzzzzzzzzzz.
MÃE termina de preparar o café.
O café está na mesa e MÃE vai se arrumar para trabalhar.
PAI continua a ler jornal e o zumbido irritante ainda está por perto!
Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
O zumbido vem de TOSCA, uma mosca muito esperta, que está apenas aproveitando para ler o jornal também e se informar do que está acontecendo durante suas poucas horas de vida.
PAI, sem conseguir se concentrar direito no jornal decide então, tomar café e se afastar de TOSCA.
Só que PAI não imagina que TOSCA também sente fome e ao ver que ele vai comer, ela aproveita para ir também!
Enquanto PAI come e vê tv, TOSCA se diverte bastante na mesa.
Mas PAI não gosta do que TOSCA está fazendo e a espanta diversas vezes.
Comer então para TOSCA deixa de ser uma diversão e se torna um desafio.
De repente um momento mágico acontece.
PAI se distrai com a tv e TOSCA se depara com uma imensidão laranja, de um cheiro muito agradável e de um sabor maravilhoso: o mamão.
Os inúmeros olhos de TOSCA brilham e ela demora a acreditar que aquela enorme fatia de mamão é só sua!
Mas enquanto TOSCA está imersa em seu momento mágico, PAI vê ali uma possibilidade de dar fim naquele zumbido que tanto o irritava.
Quase como um ninja PAI pega o mata-mosca e ...


PAH!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Flavio

Na estação ferroviária
Desembarca VERONICA


PAOLO__________________________________________________VERONICA


__________PAOLO________________________________VERONICA________


________________PAOLO____________________VERONICA______________


________________________PAOLOVERONICA__________________________


________________________VPEAROOLNOICA_________________________


.

Flavio

Ok Naomi: Ação!
TOC________TOC________TOC ________TOC________TOC________TOC
Corta!

Ação!
TOC____ TOC____ TOC____ TOC____ TOC____ TOC
Corta!

Ação!
TOCTOCTOCTOCTOCTOC
Corta!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Flavio

Em oposição ao tempo
esta o pensar
O tempo é que habitamos
no pensar nos desenrolamos
do que o tempo determinar

Traçar algo que se apaga
Insistir em riscar datas
Tentando o vento amarrar

Flavio

Os dias passam, e eu fico
Leve-me também
Nem que seja para o ontem
Nem que seja para o infinito

Os dias não passam, minha alma segue
Tempo venha comigo
Seja meu cúmplice e amigo
Seja fiel enquanto puder

Flavio

Em um mundo cheio de amor
Não há dor
A conta vem quando acaba
Buscamos uma saída frustrada
Para não pagar o credor

Mas podemos sempre negociar
Quando este insistir em fechar
Pode-se fazer de rogado
Propondo fazer um fiado
Pra ter um amor para recordar

Flavio

Esta Voz ativa sempre foi Agente da passiva quando na Função de objeto

Flavio

Quero voltar a Cnossos
dizer que foi tudo um erro
para não continuar
Beleza precisa, movimento perfeito
tudo isso esqueceram

Apagar tudo, não deixar marca
Porque de onde nascemos
tateando cego seguiremos
Nos labirintos do minotauro
incrédulo de completar-se

Flavio

Sigo em frente de olhos vendados
o alem sussurrando ao meu ouvido
Dentro o medo provoca o gemido
do real mergulhado no sonhado

Séculos e séculos só de verdade
espera o encontro com a luz
Dentro do peito uma dor que reluz
mais eterna que a eternidade

Flavio

O rio direito corria esquerdo
Íbis ave do Egito
Grotesca e rude
Grita Groooooo
O dia inteiro

Tentei em vão alcançar
Impeli pés mecânicos
Manquitolando infinitum
Marcar cra, cra, cra
Com manso esperar um dia chegar

sábado, 13 de outubro de 2007

Milena de Andrade

Números


01. (zero um) mais um.
02. (zero dois) o chefe.
06. (zero seis) ele mesmo.
E assim começa a histórias dos homens números.

Lugar comum, lugar qualquer, aqui, ali ou em qualquer lugar, tudo é bem rotina. 02 dispara as ordens, quer ser atendido o mais rápido possível, claro. O tempo pra ele é dinheiro e como todos, ele não quer perdê-lo. 01 cuida em atender as ordens, sabe que o emprego, apesar de arriscado, traz bons lucros. Não quer ter a mão decepada por um descuido que pode ser evitado. Ele sabe como executar as ordens, sabe como chegar junto, sabe fazer com que paguem o montante devido na hora e local especificado. 06 é apenas aquele que segura as pontas quando dá, quando não dá, paciência. É o primeiro a entregar os fatos, correr com a carga e fazer a fita. Ele sabe bem que “se vacilar o jacaré abraça" e sabe o quanto dói o abraço do jacaré. Depois de dois tiros de raspão, o que ele mais faz é correr rapidamente pelos becos e vielas.
Longe dali vive um cidadão. Residente no número 224 e que sai todos os dias pro trabalho. Toma o ônibus da linha 1758 sempre às 7:03 da manhã. Chega ao trabalho, entra no elevador e pede: 5° andar. Sala 1, a sala de recepção. Senta na máquina 1 e começa, das 8:00 às 18:00 aquele trabalhinho de merda, que no final do mês rende uns 500 paus, mas e daí? Dignidade é tudo, né?!
02 resolve que as coisas vão mudar por ali, afinal ele quem manda. Chama atenção do 04 porque ele não está sendo eficiente, diz que se mais um vacilo acontecer, quem vai voar é ele. Aqui o culpado nunca é o boss, nunca 02 será culpado por um erro, mesmo que ele que erre. Sabe, a hierarquia aqui é uma coisa impressionante. Sempre foi seguida. Enquanto 03 e 07 vivem de soltar fogos no telhado e ganham em pó para isso e também para os manter acordados, 02 pesa, mede, filtra, empacota, alinha, passa o troco, pega a grana, paga o toco. Com ajuda de um aqui, outro ali, consegue driblar os gambés, os alemão, os porcos fardados e faz uma incrível rede de mercado sujo e inabalável. A não ser quando aqueles com sede de justiça resolvem fazê-la com as próprias mãos, aí já viu, né?! Lá vem merda. Mas fora isso, tudo reina na santa paz de Deus, ou do Diabo, por quê não? Ali ninguém sabe a quem pedir ou agradecer, na verdade. E tanto faz, o destino é só um: 12 na cabeça, mas até lá muitos litros, quilos, tiros...

Às 18:00 o cidadão trabalhador volta pra casa, dessa vez de metrô. Linha verde, 3ª estação depois da subida. Aquele mesmo trajeto há 9 anos. Quando chega em casa, a mulher e as duas filhas o esperam pro jantar. E após a novela das 20:00 todos deitam para mais uma noite de sono e mais uma jornada no dia seguinte. O que na verdade ninguém sabe é até quando 02 continuará no comando, até quando o cidadão ficará imune às balas perdidas e à corrupção que lhe salta aos olhos, e por quanto tempo a pseudo-paz reinará na Vila de Todos os Santos. Como tudo ali é relativo, inclusive as ladeiras, o que se pode prever não passa da previsão do tempo, dada pelos jornais. Certezas só da morte, e essa todos têm. Uns sabem somente como irão morrer, é o caso de 04. Ele sabe que ou de pó ou de bala, muito bem acertada, obrigado. Enquanto isso 02 consegue iludir e ludibriar mais uns 05 para o seu exército. Enquanto isso mais uns 5 policiais são colocados pra fora da corporação com as denúncias de corrupção e irão se candidatar ao posto de soldados do 02. Enquanto isso, mais uns 5 cidadãos da cidade do caos morrem, com pelo menos 2 tiros de 38, por negligência de uns 5 soldados, de qualquer um dos lados.

E o saldo? 5, 10, quantos mil? 02 não quer saber, o que importa é o barato fazer efeito, o devedor pagar direito, o gambé dá o seu jeito pra que tudo saia perfeito. Caiu mais um com um tiro no peito.

Alerta!

Pessoal, atentem para a formatação do blog.
O título, a fonte e tudo mais.

Até, Milena

Milena de Andrade

Haicais - Hai kais - Haikais


Divago
Divulgo
E ainda (há)vago em mim.



Nem trato
Nem truta
É tudo filho da puta.


Arte
Transpirar
Faz parte.

Flavio

Minha ambi-alma
fica supra-vice
Quando sub-trans
o ante-circun
Deste mundo semi-super

Flavio

A boca sela ao dizer o assencial
este é indizível
Como um enigma do enigma
vento de boca que nunca finda
Tentando dividir o indivisível

Flavio

Quem sou eu, quando penso quem sou?
melhor não pensar
Para ser completo e inteiro
esqueça a ti mesmo
Contente-se só com olhar

A fera confia sem confiar
Olha só o que esta
Age sem racionalizar
Sem saber não erra
Completa-se em si ignorar

Flavio

Se o tempo marca tua pele
marca a pedra também
Somos pó de estrela
contendo o tempo e a beleza
o eterno e o alem

Se o eterno também é o instante
a marca de ontem
não é a de hoje
Enquanto observa foge
enquanto marca some

Flavio

O melhor do mundo são as crianças
elas são tudo que somos
São contra si mesma
e para consigo mesma
Também um eterno desencontro

Quando crescem e cresce a duvida
mais parecidos ficamos
Outro mundo se revela
em si mesmo se encela
Pra contemplar o que já fomos

Flavio

100 haver, Ipod fazer o ser?

Maria Eduarda Neves

Nada!


Uma mãe e sua filha passam de mãos dadas pelo cenário todo branco com apenas uma mancha esférica preta na parede, a menina aponta para a mancha.

Filha: Mãe, o que é isso?

Mãe: Nada!

Mãe e filha saem.

A filha volta só e espia o buraco, tenta exaustivamente entrar e depois de um intervalo de tempo consegue.

A filha cai sentada, tudo está preto, não se vê nada.

Filha: (grita sem sair som)

A filha se desespera, puxa os próprios cabelos, tira o sapato e dele cai uma pedra.Ela joga a pedra pra frente.

(Intervalo de tempo)

A pedra vem pelo lado oposto bate na cabeça dela e a joga pra fora da mancha

A filha cai sentada no chão (no cenário todo branco)

A mãe volta à cena e se dirige à filha

Mãe: O que você está fazendo?

Filha: Nada!

Maria Eduarda Neves

Impressões (Entorno do Pátio de São Pedro às vésperas da festa do Carmo)


As cores, os cheiros (nem sempre tão agradáveis!), as figuras inusitadas como uma senhora pedinte maquiada com a boca banguela escancarada num sorriso. Relíquias escondidas nos becos, como uma capa de vinil ilustrada por Virgulino. O brilho dos materiais dentro de uma loja escura, onde o escuro engole as formas das coisas. Um bêbado sujo tentando dormir na calçada quente. O parquinho que dorme de manhã. Os “tiro ao Álvaro” que nem Adoniran resistiria. O amontoado de coisas o amontoado de igrejas o amontoado de lojas o amontoado de pessoas. Essas ruas me deram a imagem de cenas de livros de Rachel e Graciliano, sem deixar de mostrar a vida independente que as ruas têm, como em O Cortiço. As idéias quentes do grupo ao sol. O carrossel parado que jamais está imóvel. A enxurrada de relógios contrária a atemporalidade que o cenário sugere.

Maria Eduarda Neves

Quadros desbotados enfeitavam a parede, a casa fedia como gatos mortos, morcegos vagueavam entre os vãos da casa, a luz pendia no teto, titubeaaanteee (mais uma vez não pagou a conta de luz), os grilos cantavam no jardim lodoso, o vento uivava melancólico indicando chuva, o tic-tac tenso do relógio avisava que estava perto da hora do jantar, o rangido da escada denunciava os passos de Leonice que colocava seu xale rasgado para ir comprar pão:

- Dona Georgina, o pão du armário ta véio, vô lá im Biu.

Mas a resposta era a mesma de quando avisou que o baú empoeirado da patroa estava tomado por traças: pigarro e barulho dos dedos de marcassita batendo as cinzas do cigarro.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Milena de Andrade

Sem Título

Chegou. Tirou os sapatos na porta e entrou sem fazer barulho. Achou, por um instante, que eu não acordaria; ledo engano. Eu nem havia dormido. Esperava-o calmamente na janela, com um cigarro nos dedos contemplando o sol nascer. Linda manhã de domingo. Entrou e seguiu pra cozinha sem me ver. Preparou uma inda bandeja de café, leite e torradas. Seguiu pro quarto na esperança de me acordar e tomar o café comigo. Em vão. Segui-o até lá e conversamos enquanto comíamos. Contou-me da noite, falou-me das risadas e dos comentários feitos. Acontece que eu não estava nem um pouco afim de ter ido àquele jantar, por isso preferi Chico e Caê na vitrola. Eram 7:00 da manhã e nós tomamos banho juntos para dormir. Por volta do meio dia acordamos e resolvemos assistir velhos filmes. Brigadeiros e cafunés e ao deitar, para dormir novamente, aquele beijo na testa e o 'eu te amo' que só me enchia de orgulho bobo.

Lúcia Helena

O SALTO DO SAPATO

O sapato tem salto baixo
Mais baixo que o salto do sapato é o salto do Sávio
Sávio não salta,
Mas salta o sapo
Que sapo salta mais baixo que o salto do sapato?
O sapo que salta
Mas todo sapo salta
Mas não salta como o salto do sapato
O salto do sapato é baixo

Lúcia Helena

Sem Título

O carro quebrou na subida do viaduto.
Um amigo prestou socorro.
A rua estava movimentada.
Houve um grande congestionamento na via principal.
Um acidente gerou toda a confusão.
A cidade ficou isolada.
O médico não conseguiu chegar a tempo.
Uma criança está ferida.
A ambulância está impedida de avançar.
Ainda é manhã quando tudo acontece.
Minha amiga, Cris, me espera no Shopping Sul.
Estou cansada de toda essa confusão.
Todo dia tudo se repete.
Pensou Mariana, enquanto se arrumava para o trabalho.Pensou Mariana, enquanto se arrumava para o trabalho.

Todos os dias a mesma coisa, o rádio noticia o caos em que está a cidade e a dificuldade que ela terá de enfrentar para cumprir os seus compromissos, inclusive o de encontrar-se com Cris, sua melhor amiga.

Mariana é uma jovem bonita, de longos cabelos castanhos acobreados, que emoldura um rosto de estrutura perfeita e delicada. Aos 25 anos, formada em Administração de empresas, conseguiu sua independência financeira ao ser contratada por uma empresa multinacional, para o cargo de superintendente de recursos humanos. Filha caçula de uma família de quatro irmãos conquistou o direito de morar sozinha graças ao apoio de seu irmão mais novo, Toni.

A família de Mariana não é rica, mas todos têm boa formação e receberam uma boa educação doméstica. Seus pais, Seu Romeu e dona Anita, são pessoas simples, e apesar da idade possuem uma mente muito avançada para o seu tempo. Mesmo com as diferenças entre eles e seus filhos, sempre procuraram fazer o melhor para o futuro deles dando a todos muito carinho, atenção e conforto, razão pela qual não conseguiam entender o desejo de sua caçula em sair de casa para morar sozinha. Para D. Anita, a filha não gostava mais deles devia sentir vergonha dos pais, já idosos e da casa onde morava, visto que agora ela era uma alta executiva. Esses pensamentos estavam deixando o clima na casa de Mariana cada vez mais pesado e a tristeza era muito evidente.

Graças à perspicácia e a atitude de Toni, que percebera o que estava se passando com os pais e Mariana, ele conseguiu, ao seu jeito, mostrar aos pais que eles estavam enganados, que essa fora a forma que Mariana pensara para amadurecer e crescer com indivíduo, buscando se tornar mais eficiente na sua vida profissional. Como ela poderia ajudar ou resolver os problemas de sua área – Recursos Humanos – se ela não tinha nenhum problema na vida a não ser a boa convivência com a família? Como entender quem não tinha família e não conseguia se ajustar ao trabalho, se esse era um universo nunca imaginado ou vivenciado por ela? Com esses argumentos e outros mais dramáticos, nem todos verdadeiros, ele conseguiu convencer a família de que o desejo de Mariana era algo importante para seu futuro. Enfim todos concordaram, e a ajudaram em seu projeto de vida.

Dessa forma, hoje, Mariana se prepara para mais um dia de grandes compromissos e de trânsito infernal em sua cidade.

Devido ao acidente na via principal, Dr. André, um respeitável médico do Hospital de Urgências da cidade, referência para os demais hospitais, enfrenta o problema de como chegar a tempo para seu plantão, pois todos os acessos estão bloqueados por conta do acidente.

Enquanto pensava em suas dificuldades, percebeu a dificuldade que a ambulância estava tendo para se aproximar do local onde as vítimas se encontravam, foi então que ele notou que estava bem mais perto, imediatamente colocou o carro sobre uma calçada para livrar a passagem e saiu em direção aos feridos. Ao chegar, constatou que se tratava de uma mulher e duas crianças, onde os meninos choravam muito, mais pelo susto do que por ferimentos. De imediato ele percebeu que o garoto mais velho estava segurando o braço esquerdo, como se este não pudesse se mover, ele cuidadosamente, como todos os médicos dedicados fazem, retirou a criança do carro e ajudou a colocar uma tipóia improvisada, acalmando o garoto que logo parou de chorar e pediu para ele ajudar sua mãe. André vendo que ela esta desacordada, priorizou o atendimento ao outro garoto, que embora não tivesse nenhum ferimento aparente, não parava de chorar. Acalmado o segundo garoto e colocado junto do irmão, André foi verificar a situação da mãe, nesse momento a ambulância, enfim, chegou ao local do acidente.
Após chegar ao Hospital, André descobriu que a mãe dos garotos se chamava Cristina ou Cris, como os amigos a chamavam. Cris estava indo levar os filhos para a escola e depois ia se encontrar com sua amiga Mariana, para quem, ela pedira aos médicos para avisar do acidente e de onde ela se encontrava.

Lúcia Helena

UM DIA FINDOU

O tempo esfriou
A rua fechou
O carro quebrou
O chefe atrasou
O sinal quebrou
O mundo parou

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Flavio

Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Repete........................ ai!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Universo: Porem não erro

Flavio

Espaço Tempo

Aberto Fechado

Espaço Tempo

Aberto Fechado

Espaço
Tempo
Aberto
Fechado


Espaço




Temmmmm : poooooooo




--------------------------




( )



Espaço aberto
Tempo fechado

Flavio

Visitei uma galáxia muito distante
Onde tudo era perfeito
Nada é muito quente nem muito frio
Tudo o que desejar, estende-se a mão que vira
Não a cheiro ruim
Todas as noticias são boas
Ninguém chora de tristeza
Ninguém tropeça na pedra
Rir é pratica constante
As crianças são bonitas e felizes
Todos os homens são bonitos
Todas as mulheres são bonitas
Porem eles não conhecem a beleza

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Milena de Andrade - 04/10/2007

Sem título

As coisas íam mal desde o começo do ano e ela ainda atribuía todas as desgraças ao seu ano astral. Havia se consultado com Amanda Costa e o resultado não havia sido dos melhores. Mas lutava. Sem namorado, amigo ou alguém interessante para jogar conversa fora, ela passava as noites sozinha em seu apartamento. Gostava de peixes e por isso tinha um enorme aquário na sala e a decoração do lugar era baseada em fundo do mar e coisa e tal.
As cartas que eram depositadas na caixinha do correio eram de cobrança, de políticos pedindo votos e da antiga inquilina que nunca mudara o endereço. O mesmo acontecia com os telefonemas. Uns de engano, outros de parentes querendo saber de sua vida, cobranças e uma vez ou outra alguma amiga ou amigo distante ligava pra dizer um 'oi'. Era chato viver assim.
Voltando do trabalho e cansada, decidiu tomar café na padaria perto de casa pra não ter que fazer a própria comida sozinha. Jantou, assistiu ao noticiário e na hora de ir embora foi surpreendida por um jovem senhor que também fazia o mesmo. Conversaram, trocaram sorrisos, olhares e por fim um beijo. Houveram as mesmas promessas de encontros futuros e troca de telefones. Mas nem tudo era tão feliz assim. Ele era de outra cidade e estava ali apenas por um mês mas prometeu que voltariam a ser ver enquanto ele permanecesse na cidade. Ao chegar em casa Alice descobre que cortaram sua linha por falta de pagamento e que estaria "incomunicável". Tratou de comprar um cartão telefônico e manter contato com João Victor, mas o que era pra ser feliz tornou-se frustrante. O vôo de João foi antecipado para o dia seguinte e Alice perdeu a linha por falta de pagamento. E nunca mais se encontraram novamente.