terça-feira, 18 de dezembro de 2007

CONTOS DE JANELA - I

A MOÇA DA JANELA
Cristiane Mabel

Ficava na janela vendo o dia passar, olhando os carros, pessoas, animais.
Ouvindo os barulhos, sons que já reconhecia, sabia quando os vendedores ambulantes passavam. ou melhor, quando ainda vinham ao longe.
Um em especial, era orapaz do barulhento carrinho de CDs.

Pauliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha, me diz o que que eu faço,
Pauliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha, porque se casou-ou-ou-ouuuuuu

E quando não estava debruçada sobre a janela, como de costume, a moça da janela corria para vê-lo passar, prestando uma homenagem a ela; Ao menos era o que pensava.
- ele sabe meu nome.

O manicômio que Paula vivia ficava na rua Padre Inglês, no centro de Recife.
A moça da janela, como era conhecida no bairro, tinha uma mente fértil e quando não era capaz de reconhecer os barulhos típicos do centro - e também as pessoas que passavam por ali - inventava nomes e histórias, parentes e amores, todos eram conhecidos, e obviamente convidados a visitá-la na sua mansão...

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