terça-feira, 4 de dezembro de 2007
A vida de Vicente por João Severino
Vincente Augusto dos Santos, era um rapaz de desesete anos normal. A não ser pela sua principal característica: ele vivia para os outros. Ajudar as pessoas era seu ideal de vida, sua filosofia,enfim,era tudo para ele. Não raramente era esplorado pelos seus colegas de classe. Os favores iam desde um simples dever de casa até um almoço ou dinheiro emprestado. Porém, as demais pessoas o viam como um rapaz ingênuo, e muito esforçado porque ele jamais reclamarva de nada e estava sempre de bem com a vida. Ajudava as pessoas de sua comunidade de graça e com boa vontade, em trabalhos que iam desde serviços braçais até mesmo um simples trabalho de babá de cachorro ou de qualquer outro animal inclusive crianças. Perto de sua casa, morava Celina Mendes Gouvêia. Celina era uma viúva de trinta e sete anos, cabelos curtos, negros, cacheados e muito bonitos. Ela havia conservado sua beleza, de modo que não lhe faltavam pretendentes. Porém, o que aquela mulher tinha de beleza sobrando, era o que lhe faltava de amor no coração. Celina vivia observando vicente e sempre que via o rapaz praticando uma boa ação, sentia um sentimento de raiva e inveja. Seu jeito amargurado tem um forte motivo: ela presenciou o momento em que seu marido e seu único filho se mataram em uma luta corporal, e irônicamente, morreram abraçados. Tudo porque seu marido lhe costumava bater e sempre seu filho a defendia apanhando também até que na última surra ele resolveu lutar até o fim o que resultou na morte de ambos. Desde esse dia, Celina não acreditava mais na humanidade e achava que todos os homens deviam morrer, que não tinham direito à vida , que a humanidade é a pior coisa que pode existir de ruim, etc. Um dia resolveu falar com Vicente. Ela o desafiou dizendo que" já que você gosta de trazer a felicidade para as pessoas, traga para mim também. "Como?" perguntava ele. "Não sei. Se não descobrir dentro de dois dias eu irei me suicidar e você será o culpado por não me ajudar". O rapaz entra em pânico, sem saber o que fazer. Dois dias é muito pouco! Como fazer uma pessoa que vive amargurada há 3 anos ser feliz de uma hora para outra? Ele pensou muito muito muito e não conseguia a resposta. Então, chegou o dia decisivo e eles se encontraram perto da linha do trem. Celina perguntou para ele se havia encontrado a resposta para a sua pergunta. Ele, tristemente, diz que não. Ela ri triunfante e diz que já esperava isso de uma pessoa que não tem uma vida própia e que não sabe nada sobre si mesmo. Nesse momento Vicente encontra a resposta: exclamando um heureca ele sorri e diz para a viúva que estava agradecido pelo fato dela ter "soprado" a resposta para ele. Celina não entende a atitude do rapaz que havia chegado triste e agora estava contente. Vicente explica que não há como ele trazer a felicidade para ela enquanto ela não se permitir ser feliz. Ouvindo isso, Celina fica imóvel. Vicente continua dizendo que ajuda os outros porque essa é a forma dele se sentir feliz. "Você precisa descobrir algo que tire toda essa tristeza do seu coração. Dê uma chance para os outros. Só você pode trazer a sua felicidade de volta." Depois de uma longa conversa regada a muitas lágrimas, ambos voltam para casa e se tornam grandes amigos. Estes fatos ocorreram entre dez de Março a treze do mesmo mês de 1994 em Recife Pernambuco.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário