domingo, 25 de novembro de 2007

Sobre a exposição 'Corpo Instável' de Milena Travassos




CORPO INSTÁVEL
Por Cristiane Mabel
Corpo sereno, vulnerável, no limite do risco. O trabalho de Milena nos apresenta uma visualidade ambígua. Um belo corpo de ninfa, inserido numa bela paisagem desconhecida, executa uma ação de forma aparentemente serena. O ato de balançar-se (Vertigem) ou banhar-se (Tudo O Que Sustenta) poderia ser um simples ato do cotidiano, não fosse o fato desse corpo realizar as ações em locais que o impõem ao risco ou que evidenciam sua fragilidade.
Balançar-se sobre um enorme poço, num balanço que tem as cordas presas num local alto que não é possível identificar, expõe o sereno corpo a um risco disfarçado na beleza da ação. Em Vertigem - vídeo instalação2006 – a vulnerabilidade do ser está evidenciada na iminência do risco que corre ao executar a ação.
No ato de banhar-se embaixo de uma árvore à noite, nos faz pensar nos diversos mitos associados à escuridão. Nós ocidentais atribuímos à noite o perigo, o que não se pode ver, nossos fantasmas, nossos medos, nossa vulnerabilidade.
Seus vídeos criam uma relação com a pintura, visto que as ações são desaceleradas, em alguns momentos, quase estáticas. Um corpo nu, numa paisagem...
As ações são universalizadas na medida em que são descontextualizadas no tempo e no espaço. Milena nos coloca na posição de expectador incluído no quadro, somos o voyeur representado nas pinturas de outrora.
Nos trabalhos apresentados, o elemento estruturador do ser humano é fragilizado ao ser externalizado e transformado em matéria frágil – frascos de vidro acoplados às vértebras da coluna – evidenciam o próprio ser, suas relações, fragilidades, fantasmas... Assim as ações sublimes de Milena, cheias de simbolismos, nos fazem refletir sobre nossa própria existência.
A referida exposição aconteceu na Galeria Vicente do Rego Monteiro - FUNDAJ, no Recife, e ficou em cartaz até 04/Novembro/2007.

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