terça-feira, 20 de novembro de 2007

Impaciência

Marta Margarida

Não sou absolutamente contra ela e acredito que a recíproca é verdadeira. No momento estou
imcapacitada de dizer-lhes como seria a vida sem ela, pois nunca ficamos sequer um instante de nossas vidas longe uma da outra. Sem mais delongas podem nos chamar de In(eu) a Iang(ela). Somos os dois lados da mesma pessoa e por, vezes, morri de vontade de atira-la no décimo quinto andar. Não, não me arrependo. Aliás, se arrepedemento matasse eu viveria oitocentos anos!
Entro na sala de estar, roupa pronta para enferntar mais um dia de dia ensolarado, pessoas, sorrisos, conversas. Um pouco de alegria não faz mal a ninguém. Visto minha indefectível roupa colorida. Óculos de sol, dinheiro no bolso. Encontro minha cara-metade sentada no sofá. Pijama, cara de sono, olheiras profundas. Numa mão uma xícara de café, na outra meia dúzia de anti-depressivos. “Que cara é essa?” Indaga. Parece que voltou de um enterro...
“Não vou cair nessa não” respondi com raiva. “Dessa vez você não vai me deprimir”. Ela ignora ainda mais minha alegria de viver. Quebra meus dentes de felicidade como se fossem formigas. “Como assim? È você que está nitidamente deprê. Quer um destes?” Aponta os anti-depressivos sobre sua mão. Respondo negativamente com a cabeça. Ligo a TV para espantar um pouco um tédio.
“Isso me dá dor de cabeça”. Desliguei em respeito a ela. Abro aspas para explicar-lhes que, caso seja o nome que você já ouviu falar, maníaco depressivo, bipolar, transtorno do humor, não acredite em tudo que lhes dizem! Tem muita asneira sendo dita por ai. Somos pessoas doces e bem mais equilibradas do que muita gente por ai. Sensíveis e... “PARA DE FALAR! TÁ ENCHENDO O SACO!”
Desisto por um instante. É nessa horas que faço cara feia. “Ei, peraí! O chato dessa relação sou eu.” O pior é que ela está certa. Ela é a chata, eu sou a boazinha. Peço desculpa e logo percebo que minha função é tentar reanima-la. Vou até a janela, abro a cortina e abro sorrateiramente. “ Veja que dia ensolarado. Vamos dar uma volta?” digo sorridente. “Ta louca? Câncer de pela mata mais do que acidente de carro.” Tento reverter a situação. “ Se bem que tem umas nuvens vindo por ali. Acho que logo vão cobrir o sol”. “Já estou vendo... chuva, resfriado, bronquite, pneumonia... vá sozinha. Mande lembranças depois, na UTI”. Pergunto o que posso fazer para anima-la e ela como sempre me responde que para anima-la basta que eu não pergunte mais isso. Fico ainda mais irritada.

Desisto por um instante. É nessa horas que faço cara feia. “Ei, peraí! O chato dessa relação sou eu.” O pior é que ela está certa. Ela é a chata, eu sou a boazinha. Peço desculpa e logo percebo que minha função é tentar reanima-la. Vou até a janela, abro a cortina e abro sorrateiramente. “ Veja que dia ensolarado. Vamos dar uma volta?” digo sorridente. “Ta louca? Câncer de pela mata mais do que acidente de carro.” Tento reverter a situação. “ Se bem que tem umas nuvens vindo por ali. Acho que logo vão cobrir o sol”. “Já estou vendo... chuva, resfriado, bronquite, pneumonia... vá sozinha. Mande lembranças depois, na UTI”.
Pergunto o que posso fazer para anima-la e ela como sempre me responde que para anima-la basta que eu não pergunte mais isso. Fico ainda mais irritada...
Chamo pra sair com os amigos, ela afirma que são todos falsos. Me irrito mais uma vez, fecho a cara, chuto o cachorro quebro o vaso de flores que ganhei de herança de minha avó querida.
Ela: “Calma... Você está muito nervosa. Desse jeito eu me animo”. Não tem jeito. Sorrio sem saber ao certo se é de desistência ou adesão. Fito seu olhar profundo e deprimido e disparo “ Realmente. Sem você eu não existiria”.
Ela fia encabulada. Reflete por uns momentos. Sorri de volta num pequeno lapso de bom humor. Não o humor sarcástico de sempre. Humor de verdade, de bondade, de cumplicidade. Sim! No fundo, no fundo somos cúmplices e nenhum vive sem o outro. Bipolaridade é a doença da moda, mas não para nós duas. Somos autenticas, unha e carne, o arroz e o feijão.
Ela percebe seu sorriso involuntário. Fecha a cara, muda a expressão voltando ao seu estado normal. “ Droga. Cadê meu antidepressivo e minha lâmina de barbear? Tenho que cortar os pulsos!” Lá vamos nós de novo.

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