Dor de cabeça, vômitos, vertigem e diarréia eram os sintomas constantes do final de semana. Regado a dorgas, sexo e roquênrrou vivia Marconi. Nada o inibia, era praticamente o destemido. O próprio 'cavalo-do-cão'. Estudava publicidade mas não era o que queria. Queria cinema, arte, fotografia. Publicidade não contemplava tudo de maneira artística, era apenas um pouco do muito que gostaria de fazer.
Chegava a sexta-feira e todo mundo da faculdade ía pro Bigode, era lá o point. Com Marconi não era diferente, ele adorava aquele antro de perdição. A galera era sempre a mesma, as pessoas de sua sala, os carinhas de jornalismo e algumas pessoas de outros cursos. A babilônia começava na frente do CAC, logo de tarde, antes da aula. E era só esperar pra sair da sala e ir beber e fumar mais.
Hoje não seria diferente, não fosse o acontecido. Uma parte do pessoal havia ido mais cedo enquanto o resto se esperava na frente do CAC. Passaram pelo portão e foram em direção ao Bigode quando o ônibus de Rio Doce/CDU atropelou Fabiana, aluna de história. Marconi se atravessou no meio da rua e segurou a menina pela cintura. Com medo de que ela morresse em seus braços, se preocupou em mantê-la acordada e conversando com ele. O pessoal ligou pro SAMU e ficaram a esperar, enquanto o engarrafamento se formava na avenida. Fabiana morrendo de dor, mas ainda consciente, conversava com Marconi sobre coisas bestas e quando dava ria um pouco pra não demonstrar fraqueza. O socorro médico chegou e Marconi os acompanhou na ambulância. Chegaram na Restauração, Fabiana foi atendida e teve que ficar internada. Uma fratura no joelho, torção no braço e um corte na cabeça. Os seus pais foram avisados da situação e foram correndo ao hospital. Marconi se despediu e voltou pro Bigode. Aquele não seria um dia comum.
Não conseguiu beber nem fumar nem nada. Ficou estático na cadeira pensando em Fabiana. Lembrava do sorriso da menina, que apesar de ter mostrado pouco percebeu o quanto era lindo. Dos cabelos curtos, da saia de flor. Era a menina perfeitinha e ideal. Mas ele não sabia se ela tinha um namorado ou algo do tipo.
Duas semanas se passaram. Todos os dias Marconi ía no CFCH procurar por Fabiana e não a encontrava. Não bebia desde aquele dia. Preocupado resolveu procurar alguém da sala dela pra pedir o telefone. Depois de muito insistir um menino deu o telefone de Fabiana e ele ligou na mesma hora.
Os dois conversaram, ela disse que estava bem melhor. Agradeceu a prestatividade e disse que ficaria feliz com uma visita dele em sua casa.
Dois dias depois Marconi foi visitá-la. Os dois assistiram filme juntos, comeram pipoca e brigadeiro, e riram muito. No final da tarde Marconi resolveu conversar com ela e saber se a menina dos seus olhos tinha namorado. A resposta foi constrangedora, porém sincera: - Tenho mas não o amo mais. Conheci uma pessoa maravilhosa e estou apaixonada por ele.
Marcone não se conteve: - Eu também conheci uma pessoa maravilhosa nos últimos dias. Os dois se olharam e sorriram. Depois de um longo silêncio Marconi disse que era ela a tal pessoa. Fabiana nã soube o que fazer e chorou de alegria por ser ele o menino dos seus sonhos. Os dois se beijaram e ao olhar para trás o namorado dela estava na porta do quarto. Marconi saiu morto de vergonha e foi embora. Fabiana abriu o jogo com Renato e disse que não o amava mais. Renato chorou, pediu um tempo mas foi em vão. Saiu da casa dela chorando e foi pra casa.
Marconi ligou pra Fabiana ao chegar em casa e ela disse pra ele que tinha terminado tudo com Renato e Marconi ficou feliz com isso.
Fabiana voltou pra faculdade, os dois começaram a namorar e Renato que fazia filosofia no CFCH pulou do 15 andar do prédio e morreu deixando apenas um bilhete: a culpa é toda sua. Fabiana ficou arrasada e terminou tudo com Marconi e sumiu da faculdade. Marconi só procurou por ela depois de uns dois meses e então soube que ela havia enlouquecido. Ele, que não nunca mais havia bebido, tomou um porre no Bigode, fumou e cheirou tudo que pôde e morreu de overdose.
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