quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Simone

A escrivaninha estava cheia de livros, a caneta caída no chão, e um lápis com borracha em cima da prancheta. Na maquina de escrever uma folha de papel com um endereço datilografado: Rua Nova América, número 82. Nas paredes muitos pôsteres de ídolos da musica pop. A cama estava arrumada, com cores muito fortes. Havia um quadro com dois pássaros pintados que parecia acrílica sobre madeira. Duas cadeiras estavam postas uma em frente da outra, e havia um montante de revista em cada uma. Em baixo de uma delas um gatinho dormia sossegadamente, indiferente a tudo. O jarro que estava na mesa não tinha água e as flores estavam secas. No banheiro havia duas toalhas de banho e nenhum sabonete, duas escovas de dente, um creme dental e dois pentes. O tapete emborrachado tinha motivo de peixinhos azuis num mar azul. A cortina era meio alaranjada, nada parecia combinar. O fogão ficava próximo à cama, separado apenas por uma parede muito fina, que dava para sentir o calor. Dois pratos estavam dispostos sobre o fogão virados de boca para baixo. Havia ainda uma pia pequena próxima ao fogão, nela estavam duas caixas e um abridor de lata. A geladeira era muito velha, acho que azul, meio desbotada pelo tempo, mas lembrava essa cor. A janela ficava próxima à cama, e através dela dava para ver o parque da cidade, embora ela não pudesse ser aberta, via-se as árvores gigantescas que rodeavam todo o quarteirão. Não havia grades, mas grandes travas presas na posição horizontal. Não havia vidraça, mas as frestas eram enormes.
Depois de muito tempo examinado o local, não sabíamos o que realmente havia acontecido, ou qual a razão do endereço deixado no papel, uma vez que a casa pertencente àquele número já havia sido demolida a mais de 10 anos. Compreendíamos apenas que precisávamos saber para onde eles teriam ido, deixando todos os pertences e de maneira súbita.

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