sábado, 29 de dezembro de 2007

Milena de Andrade

A gente se perde pra se perder.
A gente procura pra se achar.
A gente espera pra encontrar.
A gente encontra pra se peder.

Perdi.
Achei.
Achei ter encontrado.
Tornei a perder.

Depois disso decidi viver
Porque pensar demais implica e não fazer.
E viver é tudo que nos resta
A fazer.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

CONTOS DE JANELA - I

A MOÇA DA JANELA
Cristiane Mabel

Ficava na janela vendo o dia passar, olhando os carros, pessoas, animais.
Ouvindo os barulhos, sons que já reconhecia, sabia quando os vendedores ambulantes passavam. ou melhor, quando ainda vinham ao longe.
Um em especial, era orapaz do barulhento carrinho de CDs.

Pauliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha, me diz o que que eu faço,
Pauliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha, porque se casou-ou-ou-ouuuuuu

E quando não estava debruçada sobre a janela, como de costume, a moça da janela corria para vê-lo passar, prestando uma homenagem a ela; Ao menos era o que pensava.
- ele sabe meu nome.

O manicômio que Paula vivia ficava na rua Padre Inglês, no centro de Recife.
A moça da janela, como era conhecida no bairro, tinha uma mente fértil e quando não era capaz de reconhecer os barulhos típicos do centro - e também as pessoas que passavam por ali - inventava nomes e histórias, parentes e amores, todos eram conhecidos, e obviamente convidados a visitá-la na sua mansão...

BOM MENINO

BOM MENINO
C. Mabel Medeiros


Naquele dia Raíssa saíra com os amigos, combinaram de andar na avenida principal da cidade, à beira mar. Os cinco amigos conversavam, riam, tomavam umas cervejinhas e comiam espetinhos, quando de repente... Foram abordados por dois jovens rapazes:
- Passa tudo, celular, dinheiro, bora boy, bora, passa,passa,passa!
Raíssa assustada olhava insistentemente para um dos rapazes, enquanto ele apontava sua arma para o grupo.
- É jovem, bastante jovem...
Pensava. Bem vestidos passavam por qualquer daqueles transeuntes da avenida.
Raíssa não conseguia parar de olhar para ele.
Aquele rosto ficou alguns dias na sua mente.
Passado o susto, Raíssa resolveu sair com seu namorado, desta vez foi ao shopping. Era mais seguro!
Entrou numa dessas lojas de departamento bastante popular, escolheu algumas peças de roupa para si mesma. Quando prestou atenção numa senhora acompanhada de um rapaz muito atencioso.
– provavelmente seu filho. Pensara.
Olhou uma segunda vez.
– eu conheço esse ra...
não terminou nem de pensar e de novo aquele rosto veio à mente.
- Beto... Aquele menino da praia lembra?!
- Não, que menino?
- O do assalto... É ele, tenho certeza... Olhei tanto...
- Você pode estar enganada.
- Vou lá, VOU LÁ! Vou perguntar se por acaso aquela senhora sabe de onde vem o dinheiro que pagará aquelas roupas, V-O-U L-Á!!!
- claro que não, você está louca Raíssa?
- mas, é ele, a mãe tem que saber que o filho é ladrão.
- e se você estiver enganada?
Beto não deixou a namorada seguir com sua idéia de avisar a mãe, que talvez realmente não soubesse a profissão do filho. Agarrou raíssa pelo braço e se encaminharam para a saída da loja. Ela não conseguia parar de olhar para aquele jovem rapaz, enquanto a mãe o elogiava em pensamento.
– que filho bom, trabalhador. Só volta para casa para dormir, o resto do dia estuda e trabalha para ajudar a família, graças a Deus, graças a Deus...

Marconi Lira

Nós

Eu e tu ou
Ela e eu ou
Eu e ele ou
Eu e vós ou
Elas e eu ou
Eu e eles ou
todos juntos.

Marconi Lira

A ilha

Pessoas
Pessoas Pessoas
Pessoas Alguém Pessoas
Pessoas Pessoas
Pessoas

André Nunes

Samurai of violence: Guerreiros sanguinários

Esta história que lhes conto, não tem a minha participação, pois se por acaso eu estivesse, com certeza meu destino não seria o dos bons.
Tudo começa numa pacata cidade, que não acontece nada e sempre a monotonia imperava na vida dos habitantes. Até que um dia aparece um homem japonês muito estranho, que se chama Kojiro. Ele era ex-líder de uma gang chamada "Samurai of Violence" (Samurai da Violência) , que só a pronuncia de sua sigla (SOV) , dava medo qualquer mortal.
Sua saida não foi por acaso, e sim por fazer tocaias com os outros membros e dar informações para gangs rivais.
Mas o fato de Kojiro cometer essas faltas se deve porque a SOV sempre o deixou na mão. Principalmente Katana, um dos menbros mais odiado. Este homem, com nome de espada, sempre quis colocar Kojiro em errascadas e dizendo para os outros que ele não valia nada. E por isto, Kojiro quis dar o troco em Katana, mas deu tudo errado. E a única alternativa que ele tinha era fugir, já que para Samurai da Violência, ser expulso era a mesmo que a morte.
Quando kojiro chegou nessa cidade, ele já sabia que era muito calma e queria fazer de lá o seu reino. Arranjou alguns capangas e ladrozinhos baratos para formar a sua gang.
Começou a treinar-los arduamente e transformou esses homens em verdadeiros guerreiros sanguinários. E de uma pacata cidade se transformou no grande caos, pois os idosos paravam de andar nas ruas, as crianças não ficavam mais no parque e muitas pessoas deixaram a cidade. Em pouco tempo a cidade ficou completamente só deles.
9 anos se passaram e a sua gang já era conhecida nos 4 cantos de toda a região. Com mais de mil membros, ela era chamada de "Neo-SOV", uma forma que Kojiro arranjou para provocar a sua antiga organização criminosa. E pelo jeito deu certo, pois SOV já estava ciente da ascensão dessa nova gang e Katana juntos com os membros resolveram acabar com a fama dela.
Todavia, a gang de Kojiro já estava muito forte e talvez seria muito difícil derrotar-la no momento. Então Katana bolou um plano, que era de matar Kojiro, que ainda era chefe dos Neo-SOV. Marcaram o local e eles toparam. Só que na verdade SOV não iria, já que colocaram uma poderosa bomba no metrô, que seria o local da briga.
Tudo estava pronto: Dia 18; Mês agosto; ano 1999; e a hora 4:00 horas da tarde. O plano parecia perfeito se Kojiro não tivesse um informante na sua antiga gang.
Sabendo de tudo, Kojiro resolveu é ir no local onde sua antiga gang estava escondida. A supresa foi muito grande para SOV, porque Neo-SOV apareceu de repente e começou a guerra.
A briga durou muito, a gang de Kojiro estava derrotando a já não tão famosa "Samurai da Violência". Só que aconteceu um imprevisto: O informante de Kojiro era um psicopata e suicida, pois guardava no local onde estavam explossivos capaz de destrui um aeroporto inteiro!!! Quando Kojiro acabava de decapitar Katana, o louco explodiu tudo. O incidente ficou aparecendo em todos os jornais, televisões, revistas... mas mesmo assim, nunca mais terei meu Kojiro de volta.

História narrada por Yuki Sawada, namorada de Kojiro, que morreu meses depois por uma doença pulmonar.

Ronaldo da Silva

Swastica eyes

Nos anos 30 do século XX, a Europa estava um caldeirão fervilhante, em que questões políticas se divergiam. No Brasil, Getulio Vargas apresentava características nazi-fascistas, agindo de uma diplomacia Cortez com os alemães. Nesse contexto vem ao Brasil Klaus Cserhalmi, um alemão de 42 anos, pertencente ao partido nacional-socialismo (nazismo), vindo especialmente para inspecionar o partido integralista, em que este era influenciado bastante por idéias nazistas. Klaus ao chegar no território tupiniquim, não se agradou com o clima e criticava a miscigenação brasileira, ele tinha planos de transformar o território brasileiro em um país “limpo”.
Ao se instalar em um dos cômodos do Palácio do Catete, Klaus adormeceu e só acordou no outro dia, exigindo no café da manhã: torradas, geléia e aveia. Ao sair para seu primeiro discurso para o Partido Integralista, não gostaram de ver muitos mulatos inscritos no partido, afirmando ser uma sujeira possuir esses degenerados na associação política.
Klaus elogiava muito os rapazes loiros e com feições caucasianas. Ele estudava e descrevia, em sua caderneta, o dia-a-dia das pessoas pertencentes ao Partido.
Em pleno feriado nacional, Klaus passou o dia com o presidente Vargas e, neste mesmo dia, houve um acontecimento que comprometeu a estabilidade do alemão: o presidente apertou a mão do público e demonstrou ser cortês com estes, foi quando Vargas pegou no colo uma criança mestiça e logo em seguida passou para os braços frios de Klaus. Só que este recusou e sentindo-se ofendido saiu enojado sem olhar pra trás. Klaus era um homem cheio de ambições e sonhos, entre eles ser o braço direito do Füher na América do Sul quando a Alemanha ganhasse a guerra. Passados dois meses, Klaus já transitava no meio da população brasileira, na qual ele era anteriormente apenas uma sombra apagada. A classe política questionava muito suas saídas de algumas semanas atrás, muitas já estavam questionando até a sua sexualidade, devido o mesmo sair muito com os rapazes do partido totalitarista, inclusive os mais aperfeiçoados. Quanto mais tempo passava, Klaus ficava com atitudes mais absolutistas, era cego por poder as só o via como um déspota tirano, com olhos de suásticas flamejantes.
Mas, a vida de Klaus foi mudada, tudo que ele acreditava e todos os seus sonhos e suas crenças, desmoronou da noite para o dia, quando o próprio foi pego com uma pessoa que fazia parte de uma etnia ao qual ele e seu grupo ideológico desprezavam e odiavam. Klaus se encontrava com esse ser, em total momento de puro prazer e estases. Seus corpos tremiam de uma intensa eletricidade causada pelo o movimento de vai-vem, os telespectadores, dessa alegria carnal, foram os próprios integrantes do partido totalitarista, todos ficaram perplexos ao ver o Klaus em uma situação não gratificante, para um homem de sua posição, em que dentro dos padrões morais de uma sociedade fechada era visto por ele e outros de sua casta como algo imoral.
O próprio Klaus com seus olhos de suásticas sentiu a dor de cada extremidade do símbolo nazista ao ser pego com uma negra de dois metros de altura em atos sexuais, nos aposentos de um hotel de quinta categoria.

Ronaldo da Silva

A História e o Irracionalismo Pós-Moderno

O peso da história está metaforicamente dado pela massa corpórea que obriga a fazer humano. Hoje, a objetividade, da qual o homem faz parte, fornece os limites do fazer a razão, um novo homem aparece para realizar o conforto entre uma objetividade que determina e uma subjetividade que escolhe subjugada às determinações. Em épocas que se acentua o individualismo levando o indivíduo ao isolamento completo, à competição desenfreada, a angústia, a incerteza, gerando crises irracionais. Uma crise epistemológica, em que se anuncia a morte da ciência, da história e da filosofia, em que desconstroi o sujeito, estabelece-se um vazio ético, e reduz-se toda verdade a mero discurso, quando a sombra do nada, a sombra niilista, a angustia e a sensação de impotência se estende no mundo. A racionalização que marcou profundamente o mundo moderno deixou um legado de conhecimentos extraordinários: cientifico tecnológico e administrativo. A modernidade fazia da racionalização o princípio único da organização da vida pessoal e coletiva.
O homem é assim, submetido exclusivamente à sua razão. È desta forma que ele se integrará no mundo social, preenchendo o seu papel de trabalhador, de soldado, de cidadão, mais do que sendo o ator da sua vida pessoal. Neste sentido, a razão torna-se num instrumento de poder e de dominação sobre o homem. Pode-se imaginar o quanto a visão do mundo e o pensamento moderno, privilegiou a racionalização em detrimento do sujeito, pôde ter tido impacto na ideologia da sociedade. Já o universo pós-moderno será, inevitavelmente, complexo, ele verá perde o sentimento de certeza, dissemina a Idea de negação transforma o racional em irracional. Com a Revolução Industrial, o capitalismo se tornou mais intenso no modernismo, fincando suas raízes de ideologias na sociedade. Ideologia estas que causou no homem pós-moderno as inversões de valores, como por exemplo, o egoísmo, o narcisismo, o egocentrismo, o hedonismo e o individualismo. Valores estes, na medida em que são disseminados na sociedade, de alguma forma refletem as crises do pós-moderno , dentre elas a irracionalidade.
No início do século XX, o mundo sofreu com duas grandes guerras, resultado da irracionalidade humana, alimentação pela ganância e o poder do homem. O artista francês Marcel Duchamp apresentou um mictório de banheiro masculino num salão artístico em 1917(época da primeira guerra Mundial), demonstrando umas atitudes iconoclastas, destruindo tradições em uma época que seria hipocrisia seguir com a estética do belo.
Já nos meados do século XX foi marcado pela Guerra Fria, conflito entre o bloco dos paises capitalistas e socialistas, disputada por uma apavorante corrida armamentista, era a chamada época da “paz armada”. A década de 60 foi supermovimentada. Aos jovens participaram dos acontecimentos com uma intensidade nunca vista antes na história. Um tempo que prometeu grandes mudanças: na tecnologia, na moda e nos comportamentos, na economia e na situação política internacional. Minissaia, guerrilha, rock, liberdade sexual, viagens à lua, televisão, estudantes enfrentando a polícia nas ruas computadores, cabelos compridos, feminismo, revolução: o mundo inteiro parecia querer mudar. Mas, no final, pouca coisa se transformou profundamente. O sistema era mais forte do que pensava.
A onda renovadora foi até o começo dos anos 70. Depois, o sistema conseguiu absorver a rebeldia. As moças libertárias jogaram fora os discos dos Rolling Stones e Janis Joplin, vestiram o sutiã, casaram-se e tornaram-se pacatas donas de casa, preocupadas com a novela da tevê e a compra da semana. Os rapazes botaram de lado os livros de Trotski, atiraram na lata de lixo o pôster de Che Guevara, cortaram a barba e os cabelos, vestiram terno e viraram submissos empregados de alguma grande empresa, sonhando em ganhar dinheiro e casar com uma moça virgem. Os hippies morreram de tanto se drogar ou então voltaram para a cidade grande para se tornarem empregados de um banco ou de uma empresa multinacional. Nos anos 80 e 90 as pessoas passaram a se preocuparem mais consigo mesmo do que com a transformação do mundo. O modelo da nova era nos anos 80 e 90 passaram a ser o yuppie, o jovem executivo que ganha rios de dinheiro na bolsa de valores e gosta de ostentar seus ganhos: com roupas finas, carros importados, telefone celular, olhar superior, prova da irracionalidade do homem. Hoje, o mundo sofre com as atitudes do homem, principalmente, na área industrial, devido à corrida pelo progresso e a tecnologia. Causando a saturação no meio natural com poluições, através das queimadas, emissão de gases tóxicos no meio ambiente e poluições de rios e lençóis freáticos. Vê-se hoje o mundo respondendo a essas atitudes irracionais do homem, através de chuvas ácidas, terremotos, Tsunames e aquecimento global. Já afirmava o celebre Shakespeare: “Os erros não estão nos astros, e sim em nós mesmos”.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Marconi Lira

Noite de sono

- Miau
Miaaauuuuu
Miau
Miiiiiiiiiiiaauuuuu
Miaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuu
Miaauuuuuuu
MiauAuauuuuuuuu
Raaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuuuuuuuu
- Cale a boca, gato maldito!
- Rauuuuuuuuuuuuu
Miau Au au
-Que cantoria dos infernos!
- Raú u u
- Mas já te dou um jeito.
- Tome!
- Zum!
- PAF!
- MIAU! ... au, au, au
-
-
-
- Meu Deus! Acho que o matei.
-
- Ora, eu não queria,foi sem querer. Eu precisava dormir. Vou trabalhar pela manhã bem cedo. Preciso dormir e ele com aqueles miados não estava deixando. Tá bom, era só um gato. Existem muitos outros por aí. Uaaaaaa!
-
-
-
- miau?
-
- Miauu. Miau au au
-A peste não morreu! Maldito gato! Essas pragas devem ter sete vidas realmente!
- Miaaauuuuu
Miau
Miiiiiiiiiiiaauuuuu
Miaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuu
Miaauuuuuuu
MiauAuauuuuuuuu
Raaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuuuuuuuú
Raú
Raú
Raú, raú
- Ahrrrrrhrrh!
- E agora,José?

Marconi Lira

Sem brigar

Calma, amor
Mas que horror!
Pra que gritar?
E se estressar?

Vamos parar
Vamos pensar
Vamos sorrir
E nos amar!

Marconi Lira

O gato

Gato miou
Gato pulou
Gato caiu
Em pé ficou

Gato pulou
Gato miou
Em pé ficou
Gato caiu

Gato miou
Gato pulou
Gato caiu
Em pé ficou

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Hiji

Em frente ao espelho


Imóvel, em frente ao espelho
Vejo homens
Vejo mulheres
Vejo animais.
Vejo crianças
Vejo adultos
Vejo velhos.
Vejo deuses
Vejo demônios.
O espelho reflete, eu reflito.
Quem sou eu?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Hiji

Jorge, exatamente pontual. ( capítulo 1 - apresentação)


Cinco, quatro, três...dois... ... ... um!

--Ufa! Até que enfim são 21h00!!!- pensou. Agora já posso entrar em casa!

Jorge era um sujeito extremamente pontual, doentemente pontual. De acordo com sua inseparável companheira agenda, ele deveria chegar em casa às 21h, mas não por volta disso, sim exatamente às nove horas da noite em ponto! Quando, por um motivo qualquer, chegava alguns minutos antes, esperava ansioso em frente à porta, acompanhando cada milésimo de segundo como se aguardasse a explosão de uma bomba atômica que determinaria a extinção da vida no planeta. Sua tensão era tanta que o coração acelerava, o ar lhe faltava tornando a respiração ofegante, o corpo suado vibrava a cada segundo... Parecia estar lutando pela vida em um campo de batalha cheirando a sangue e cheio de cadáveres, equilibrando-se na tênue linha que separa nossa fútil existência de um simples corpo inanimado degradando-se ao relento. Nesse momento a imagem de Jorge representava o homem nos fins dos tempos, em pleno apocalipse, onde os deuses e anjos desceram à Terra para o Juízo Final.
Uma vez dentro de casa, aliás, do apartamento, Jorge seguia metodicamente o horário pregado na geladeira, no guarda-roupa, no espelho do banheiro... Comia, tomava banho, mijava, dormia, tudo no tempo meticulosamente planejado. Seu lema era fazer "a coisa certa na hora certa", o que levava extremamente à risca. Acreditava que assim pouparia preocupações futuras, então mantia tudo sobre esmerado controle. Não se apressava nem se atrasava.
Continua ( tenho que sair da net)...

Hiji

Efeitos sem causa( parte1)
___Ele era um sujeito calmo, simpático, tímido até. Mas frente a mudanças repentinas, as pessoas mudam. Depois de um assalto, sua mãe, sua tia e seu primo pequeno foram mortos. Levaram não só celulares, bolsas e dinheiro, mas também três vidas inocentes de seus entes queridos. Destruíram sonhos.
___Odiou a humanidade.
___Passou a andar armado, uma faca escondida na cintura. Andava destemido, como se a faca espantasse qualquer mal que porventura aparecesse. Mas ele era um sujeito calmo, simpático, tímido até. Não teria coragem de usar a arma nem mesmo para cortar uma cebola.
___Nessas andanças, já tarde da noite, foi abordado enquanto passava por uma rua deserta. Sentiu o corpo tremer. O ladrão apontou uma faca e pediu seus pertences. Foi pegar a carteira, mas puxou a faca.
___Num piscar de olhos a arma estava profundamente enfiada no pescoço do bandido, até o cabo, perfurando a traquéia. Os olhos dele esbugalharam-se, soltou um gemido quase inaudível. Sentiu o sangue escorrer quente e viscoso pela sua mão. Um sorriso sinistro brotou dos seus lábios. Desembainhou a faca do pescoço e a recolocou diversas outras vezes. A cabeça pendeu e rolou no chão.
___Ajoelhou-se.
___Ajoelhou-se e dissecou o corpo. As vísceras saltavam pelo abdomen. As costelas estavam à mostra. Por entre elas enfiou a faca no coração que aos poucos estava parando. Retirou um lenço do bolso, limpou a arma e guardou. Colocou um bilhete dentro da boca do cadáver.Foi embora.
___Não havia sido o primeiro cadáver, já havia matado outros três. Um por sua mãe, um por sua tia, um por seu primo. Sentia-se satisfeito em tê-los vingado, embora não fizesse a menor noção de quem eram os bandidos, julgou o acaso parte de sua vingança. Mas havia matado o quarto. Por pura e simples diversão. Não sabia explicar o porquê, mas ficava em êxtase quando sentia o cheiro do sangue, a lâmina afiada entrando e rasgando a pele do seu alvo.
___Por um momento esqueceu os pensamentos e adormeceu. E teve bons sonhos.
Continua...

Hiji

Hai-kais?

Forte.
Mas quem vencerá
A morte?

Preguiça.
Corpo humano
Que enguiça.

Suicídio.
Ciclo se interrompe.
Desperdício.

Hiji

Retrato de Família

Pai, mãe, filho, filha , avó paterna. Todos aguardam o disparo do flash. Os mais velhos ficaram ao fundo; da esquerda para a direita a avó, o pai e mãe. A filha, que aparenta 15 ou 16 anos, e o seu irmão um pouco mais novo ficaram no centro, em frente aos pais. A família assim reunida, embora pequena, emana uma confortante sensação de harmonia e carinho. O fotógrafo procura o melhor enquadramento, o melhor local para a foto, pede a todos para sorrirem e dispara o flash.
Cai a pose. A filha empurra o irmão, que devolve com um chute nas pernas. A mãe nervosa puxa o menino pelos cabelos e lhe dá um tapa. O pai, constrangido por estar na festa do seu chefe, segura o braço da esposa com força e pede que pare. A avó paterna diz para seu filho que solte aquela mulher, aquela vagabunda que estava se insinuando para o fotógrafo. A filha acende um cigarro e começa a fumar.
Vem chegando o dono da festa. O pai, que detesta seu chefe, recebe-o muitíssimo bem, agradece pelo convite, elogia a festa e o convida para uma foto com a família. Todos posam novamente, unidos, sorrindo.
O tempo se encarrega de apagar os amores, as brigas, as vidas. Mas os retratos que falarão por nós, quem os apagará?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Flavio

Poses e posses


o banco
([{$$$$$$$$}])

a banca
"inho"

o banco
([{0000000}])

a banca
"ão"

Flavio

meu e teu


_______________________euetu__________________________
____________________eu___e___tu_______________________
_________________eu______e_____tu_____________________
_____________eu__________e__________tu________________
________eu_______________e_______________tu___________
________eu___________e___________________tu___________
________eu________e______________________tu___________
________eu____e__________________________tu___________
________eu__e____________________________tu___________
________eue______________________________tu___________

Flavio

vai
diga k vou
diga k v
diga k voo

k boto ovu

Flavio

fica____________________________________ai
fica_________________________________ai
fica____________________________ai
fica______________________ai
fica_______________ai
fica________ai
fica___ai
ficaai
mas é teimoso né!

Flavio

Pomares de
Poemas
Podes o
Podre
Podar?
Passa o
Passado
Passar!
Passa
Podre
Poema de
Pomar

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

André Nunes

O templo dos ninjas

Existe na America Central, um templo com caracteristica chinesa muito antiga. Este templo é denominado "Templo dos Ninjas" e lá viva um mestre muito sábio que era admirado por todos seus discípulos, menos um.
Este renegado se chama Job Mike e tinha muita inveja e raiva do seu mentor. Isto por causa de sua posição e também por causa de uma pedra muito especial que seu mestre usava em seu pescoço.
Esta pedra dava a imortalidade ao seu usuário e Job desejava possuí-la. Por isso, planejava apoderar -se do amuleto e depois destrui o seu professor. Só precisava de uma oportunidade...
No verão sempre existia festivais no inusitado templo chinês e neles sempre existiam combates de demostração para alegrar toda platéia de visitntes que tinha nestes eventos. E este era o momento ideal para Job realizar a sua ambição, já que era o único momento que um ninja podia desafiar o outro independente da posição.
Mas como ele poderia matar-lo se com a pedra, seu mestre ficava imortal? Simples! Pois seu mestre nunca usava a pedra no seus combates.
A luta demonstrativa de Job e seu mestre começou, mas algo estava errado, pois a luta estava muito estranha. Cada um estava usando o golpe secreto altamente mortal denominado "A Grande Mão". Este golpe, além de poderoso, era proibido usar-lo em membros do templo e principalmente em superiores. Ao entender, parece que o mestre sábio percebeu a tentativa de assassinato e revidou da mesma forma, todavia Job Mike já era um mestre nesse golpe e nem seu professor era páreo pra ele.
Com o mestre morto na arena, todos ficaram espantados com que viram, já que mesmo com todo seu ódio, Job nunca demonstrou tamanha agressividade em público e acharam que ele tinha perdido a razão. e nem esperando muito, Job foi para o quarto do seu mestre para roubar a pedra.
Acontecesse que os outros ninjas já estavam em sua caça para se vingar. Porém nada adiantou, pois com um único golpe, Job Mike destruiu o templo e quase todos os ninjas com seu enorme poder sobrenatural de fogo. Com antigo templo carbonizado e os ninjas mortos, Job fugiu com a pedra sem saber que na verdade, ela não tinha poder algum.

Flavio

Funk do menino no telhado

vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai
vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai
vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai

é rochaaaaaa

bibita nabuxa
leleca kituxa
meleca tutuxa
pilica latuxa
agala laxuxa
menica catuxa
igita bubuxa
estica kipuxa

pepe,pepe

vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai
vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai
vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai

é rochaaaaaa

bibita nabuxa
leleca kituxa
meleca tutuxa
pilica latuxa
agala laxuxa
menica catuxa
igita bubuxa
estica kipuxa

pepe,pepe

vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai
vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai
vai dc,vai dc ,vai dc
oh papai,oh papai

pulaaaaaaaaaaaaa

C. Edu Salles

DESEJOS

Teu corpo
O labirinto perfeito que não canso de desvendar
Cada novo ângulo, uma descoberta
Olhos e boca, expressam a forma perfeita do que chamam ternura
Tuas pernas, teus seios
O idioma perfeito do que chamo luxúria
Nada parece ser mais arrebatador que a sua imagem

A cada novo encontro a explosão de uma nova paixão
Não há como evitar o desejo de te beijar
Te possuir, te amar
Tudo se torna parte desse ciclo vicioso
Que leva a te querer e te querer mais a cada vez

Loucura, felicidade, desejo, amor
Está para surgir um único termo que defina a imensidão que é
te querer

C. Edu Salles

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Escrevendo eu descubro as minhas verdades mais profundas, aquelas que por mais que eu quisesse seria incapaz de contar a qualquer outra pessoa além de mim mesmo. Busco me definir e me compreender melhor e, embora nunca consiga inteiramente, há sempre uma brecha que me conduz a uma nova leitura do enredo comicamente dramático das certezas e incertezas que sugerem quem eu seja.

Me descubro e me surpreendo com cada nova face do meu espírito, elucidada pelas palavras que brotam dessa vontade insaciável de escrever, como tentativa de descobrir quem sou. Talvez seja isso, escrevo não apenas como tentativa encontrar um sentido pra vida mas, antes de tudo, pra explicar a mim mesmo quem eu possa realmente ser. Será possível a alguém chegar a uma descoberta tão aterradora sem atravessar o campo das dúvidas e das contradições?

Há a possibilidade de cada um de nós abrigar múltiplas facetas que compõem tudo o que somos por completo, pensamentos e sentimentos, verdades e ilusões mas, se ainda não encontrei todas as respostas, é porque ainda não conheci todas as perguntas.

C. Edu Salles

A CULPA É DAS CAPIVARAS

Em um dado momento fui tomado por pensamentos de uma profundidade filosófica tamanha que, divagações de mesmo nível, só havia tido quando em minha estadia em um mosteiro tibetano ou quando vou ao banheiro... para refletir. De súbito me perguntei: de quem será a culpa pela má distribuiçãode renda no país? de quem será a culpa pelo alarmante índice de analfabetismo? de quem será a culpa pela fome e violência que assolam nossa sociedade? Enfim, de quem será a culpa de todos as mazelas do mundo??? E,logo depois, como se houvesse sido iluminado, tudo se tornou mais claro. A resposta para todas essas perguntas se revelou diante de meus olhos!!! A culpa só poderia ser das capivaras!!!

Quero deixar bem claro que não tenho nada pessoal contra capivaras, assim como não tenho nada contra hipopótamos. Vejam bem, eu não levantaria uma questão como esta se não houvesse clareza e coerência em minha afirmação. Tudo bem, admito que não simpatizo um pouco com capivaras (não suporto!), a acusação que faço é de natureza completamente imparcial. Então você me pergunata: mas por que? E eu respondo: porque sim! Embora esta resposta por si só já justifique completamente a responsabilidade das capivaras quanto aos males do mundo, podemos nos perguntar, também, aonde elas estavam nos nossos momentos mais difíceis e delicados? Que posição tomaram?? Que atitude tiveram???

Uns culpam os extra-terrestres, outros, o nosso inocente e amado governo. Não sejamos injustos pois todos sabemos que só há um culpado por trás de cada questão social que não transcorre como deveria. E cabe a todos nós encontrar os verdadeiros culpados, já que somos completamente inocentes e isentos de qualquer contribuição às mazelas da sociedade a qual pertencemos! Precisamos identificar e corrigir os erros e não apenas encontrar um bode expiatório que seja responsabilizado por tudo!! A culpa não é minha, nem sua, nem do nosso estimado governo ou dos extra-terrestres. A culpa, meus amigos, só pode ser das capivaras!!!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Ronaldo da Silva

O INÍCIO - PARTE 1

É a minha primeira vez. Quero dizer é a primeira vez que eu pago.

Não acredito que eu falei isso. O que ele vai pensar de mim?

Não se preocupe? Disse ele - também to nervoso, pra ser sincero não costumo ter como cliente uma cara tão jovem.

Confesso que fiquei um pouco lisonjeado, mas o nervosismo não passou totalmente. Isso não teria acontecido se Ryo não tivesse esta idéia maluca. É meu aniversário, finalmente cheguei aos dezoito. Meu melhor amigo, o Ryo, resolveu me fazer uma surpresa me, pois no carro e falando que já era hora de eu me tornar homem me trouxe para este apartamento. Há pouco tempo atrás, no elevador, Ryo começou a dizer que sabia qual era minha orientação, que eu não tinha coragem de ficar com homem nenhum, que isso era uma bobagem e que resolveria meu problema me apresentado uma pessoa.

Qual o seu nome? Perguntou ele cortando meus pensamentos.

D-D-Doug - respondi trêmulo e mentindo.

O meu é Zack. E aí o que você quer fazer?

Não sei ao certo. Podemos conversar um pouco antes? - Falei sem esconder o constrangimento.

Claro que sim! Eu disse a seu amigo que meu amigo que cobro por hora.

Essa aí me deixou com raiva agora, não é minha idéia estar, aqui eu só resolvi entrar porque qualquer coisa era melhor do que enfrentar o Ryo naquele elevador. Eu iria dizer o que? Que era tudo mentira? Coisa da cabeça do Ryo? Que eu não tinha esta preferencia? Como eu poderia explica que até agora eu nunca beijei ninguém? A velha desculpa que eu estou esperando uma garota especial não cola mais.

Está fazendo um calorão não é? Enquanto falava Zack tirou a camisa deixada seu dorso malhado a mostra.

O cara é um tesão! Bronzeado com cabelos meio louros, acho que ele deve surfar também. Zack está vestindo uma calça no estilo ginástica e julgando pelos pesos espalhados pelo amplo cômodo que serve ao mesmo tempo de sala, quarto e cozinha, Zack é um rato de academia. Eu estou me sentido um idiota. Ryo me pegou na saída da escola e se eu tivesse trazido outra camisa na mochila o garoto de programa aí iria saber onde eu estudo. Pai você estava certo quando me disse que sempre deveria trocar de camisa na saída do colégio, mas acho que você estava pensado de me prevenir seqüestro.

Por que você não tira a camisa também não precisa ficar constrangido não?

V-V-Você tem razão.

Estou com tanta vergonha que devo parecer um tomate. Eu sempre esqueço que é importante tomar um sol de vez em quando. Mesmo assim tirei a camisa.

Relaxe cara. Falando isso Zack se posicional atras da cadeira que seu estava sentado e pôs as mãos nos meus ombros simulados uma massagem. Logo após ele começou a esfregar seu membro nas minhas costas e aproximar sua boca não meu pescoço. Num reflexo dei um salto da cadeira e pegado minha camisa sai às pressas do apartamento. Notei que Ryo me esperava do lado de fora ainda no hall.

PARTE 2

Eu não tive coragem. Mais uma vez eu não tive coragem. Ryo vai ficar uma fera.

Meu pagamento! Quero minha grana agora! - Zack saiu com fogo nos olhos.

Ryo permaneceu como estava. De olhar baixo puxou do bolso duas notas de vinte e jogou-as na direção do garoto de programa. Quarenta. Quem é que vale quarenta? Eu sou o Zack? Droga! Como vou explicar para o Ryo que não houve nada e que eu fugi como um garotinho assustado e chorão?

Ryo eu... ¿ nem termino a frase.

Não precisa me contar detalhes. ¿ afirmou de ainda de cabeça baixa e me empurrando para o elevador.

Pelo seu estado a festa com o Zack foi boa

Eu só... ¿ explicava-me enquanto me vestia.

Não quero detalhes!! ¿ ele me interrompe mais uma vez agora gritando.

Neste momento pude notar o brilho das lágrimas que caíram de seu rosto.

Por que está chorando Ryo?

Por que te amo droga!

Eu não estou entendendo mais nada. Como você pode me amar se me trouxe para transar com um prostituto?

A culpa é sua! Eu tinha que fazer alguma coisa.

Continuei na mesma, sem entender nada. As lágrimas lutavam para sair do rosto do meu amigo que se esforçava para não as deixar cair. Eu tentei me aproximar dele, mas neste momento uma velhinha entrou no elevador. Ryo passou as mãos no rosto com a indisfarçável vontade de não dar bandeira. Eu não parei um minuto de olhar para ele. Chegamos ao térreo e tomei a iniciativa desta vez.

Precisamos conversar e aqui não é um lugar adequado.

No carro não trocamos nenhuma palavra. Mas eu conseguia parar de olhar para ele. Ryo me levou até um parque próximo ao centro da cidade. Procuramos, ainda silenciosamente, por um lugar tranqüilo e afastado para não sermos incomodados. Sentamos sob a sombra de uma árvore e na grama. Olhei fixamente para Ryo até que ele dissesse algo.

Dereck, cara eu tinha mesmo que fazer alguma coisa. ¿ Ryo falava quase se atropelando nas palavras - Não sei como eu comecei com esta idéia do presente de aniversário. O que eu queria mesmo era fazer você se liberar um pouco. Imaginei que quando você tivesse sua primeira experiência você me notaria e baixaria o muro que você construiu em volta de si mesmo.

Com assim Ryo?

Faz um bom tempo que eu te observo nos corredores da escola. Seguia-te com o olhar. Admirava sua beleza e meiguice com todos. Contudo por mais que eu tentasse nunca consegui ficar na sua sala. Até este ano. Dereck, tudo era novo para mim. Eu nunca havia me apaixonado por um cara antes. Mas eu não parava de pensar em você.

Mas eu nunca notei nada Ryo.

E como poderia? Sempre ocupado, seja com o time, o grupo de teatro, o cineclube e o grêmio estudantil. Sempre rodeado de garotas e evitando a companhia masculina.

Mas como você percebeu que eu tenho esta preferência?

Como eu te falei Dereck. Eu te observo faz tempo. Notei que mesmo evitando outros garotos olhava diferente, com segundas intenções, para alguns deles. Embora você disfarçasse muito bem.

Por que não falou nada? Por que esperou tanto tempo?

Eu tentei. Por mil vezes eu tentei Dereck, mas você nunca me deu uma chance. Já foi difícil me tornar seu amigo. Não sou bom em criar planos, mas você sempre gostou de ensinar o resto da turma. Então resolvi tira notas baixas em tudo e depois pedir para você me dar umas aulas.

Então foi por isso que neste ano suas notas são tão ruins. Você está se arriscando por mim?

Sim. Prefiro ser reprovado a não poder ficar ao seu lado.

Ryo você ainda está chorando.

É ciúme, Dereck. Ciúme.

Não precisa ficar assim. Não aconteceu nada.

Como não? Eu vi como você saiu do apartamento do Zack, sem camisa e bem vermelho. Com que você estivesse feito de tudo naquelas duas horas.

Não Ryo? Eu não fiz nada. O máximo que o Zack conseguiu neste tempo foi me fazer tira a camisa, me deixar supreenvergonhado e me fazer sair correndo de lá. Só isso. Eu não tive coragem.

Então eu me enganei e acabei estragando tudo não foi?

Não. Lembra-se que você sempre me perguntava por que eu até hoje era virgem?

Lembro. Você dizia que estava esperando alguma garota especial.

Na maioria das vezes eu respondia que esperava por ALGUÉM especial e pelo visto encontrei.

Ryo olhou para mim e sorriu discretamente disfarçando a lisonja. Eu afaguei seu rosto e recostei minha cabeça sobre suas pernas. Olhei para cima. Ele afastou meus cabelos da franja e me deu um beijo na boca. Era a primeira vez que eu beijava um garoto e este dia, o dia do meu aniversário marcou o início de nosso namoro.

Ronaldo da Silva

À OLHO NU

Essa é uma historia de dois irmãos, um se chama Rômulo e o outro Abel, o primeiro é um se chama homem que está bem sucedido nos negócios econômicos, já o outro é boêmio e galanteador e sem nenhuma pretensão com o futuro. Os dois sempre se deram bem, desde a infância Rômulo dialogava com Abel de uma maneira diplomática, ajudava-o com os estudos, quando este apresentava dificuldade de aprender algo. Abel logo que entrou para a escola já foi conquistando as meninas com sua junção de beleza e simpatia, ele desde pequeno apresentava traços bem definidos, tanto no semblante quanto na estrutura física, desenvolvendo esses traços ao amadurecer. Já Rômulo era um garotinho magro, muito branco e esquálido, um típico protótipo de nerd, não tinha sucesso com as garotas de sua rua e nem de sua escola.

Apesar de suas diferenças físicas dos dois irmãos, eles não tinham choques de culturas. Eles vieram de uma família de classe média baixa, em que a mãe dava aula em uma escola publica, e o pai trabalhava em um banco, como vigia. Os dois estudaram em várias escolas, tanto publica quanto privada, eles tiveram as mesmas oportunidades só que caminhos diferentes. Rômulo seguiu uma carreira de negócio em uma empresa multinacional, almejando uma posição majoritária, já Abel foi trabalhar como vendedor de livros e escreve alguns contos que não chegaram a ser publicado, ficando na obscuridade. Dos dois, só Rômulo construiu família, tendo dois filhos e uma esposa que o traia por falta de sexo no casamento, já Abel não tem uma visão mais critica do mundo, diferente de Rômulo que tem uma visão mais lucrativa, em que as relações humanas se baseam em custos e benefícios.

No natal houve uma ceia na casa de Rômulo, e Abel foi convidado, lá naquela mesa farta Rômulo viu o quanto ele já conseguiu, uma estabilidade no emprego, uma família e posses materiais, mais quando ele olhou no fundo dos olhos do irmão e viu que lhe faltou algo, o próprio irmão. Rômulo não demonstrava que sempre invejava o irmão com o seu jeito carismático de ser, ele na verdade queria ter as virtudes de Abel, tanto física quanto relacional. Nessa mesma noite eles ficaram na biblioteca de Rômulo, bebendo e conversando até tarde, foi quando Abel começou a elogiar o irmão por se dar bem na vida.

Foi quando Rômulo fez um movimento brusco pegando na nuca de Abel dando um beijo na boca de Abel, conduzindo-o até a poltrona, lá Rômulo sodomizou Abel, como se estivesse sugando a sua essência vital, memorizando a face do irmão que gemia de dor e prazer, pedindo que o irmão fosse mais devagar no movimento de vai e vem de sua região sacra. Logo após o coito anal a relação dos irmãos ficou turbulenta. Abel não demonstrou ter problemas, enquanto Rômulo gostou da experiência de possuir e dominar o seu irmão, mas ficou paranóico com a idéia de ser apontado na rua como um pederasta incestuoso. Para acabar com esses “demônios” que habitavam sua mente, teve a idéia de convidá-lo a uma conversa. Os dois passaram o final da tarde rodando a estrada e conversando sobre o ocorrido, Rômulo não tinha mais problema de falar o que sentia, tendo o pensamento desviado para outra coisa. Rômulo pediu que Abel saísse de dentro do carro, ordenando-o que este seguisse em frente, Rômulo com a mão tremula sacou uma arma de dentro de seu casaco, deu três tiros nas costas de Abel, matando-o. Em seguida cinco minutos depois, ele resolveu levar uma lembrança de seu querido irmão, arrancando do cadáver o par dos olhos. Depois de decepar o órgão sensorial do irmão morto, enterrou em uma cova rasa de um terreno abandonado, terminando a noite em bar, bebendo gim.

Milena de Andrade

Foi. Partiu calado e não olhou para trás
Saiu pela mesma porta que havia entrado
E prometeu se vingar do passado.
Foi. Cheio de mágoas e rancores menores
E por ter sido tão infeliz e triste
Partiu com os olhos rasos.
Foi. Levando saudade e pedidos de perdão na bolsa
E enquanto esperava o ônibus na estrada
Viu toda sua vida como um filme em preto e branco
Mesmo assim foi. Para nunca mais voltar.
Mas voltou.
Vingou.
E de nada adiantou. A dor continua guardada.

Milena de Andrade

- Chega, gritou Clementine.
E aos prantos saiu correndo. Joaquim ficou sem entender direito o que havia acontecido e chorou.

Era o fim.

Milena de Andrade

Dividindo
Divagando
Dissolvendo
Dividendo
Dividando
Di

(vi)
Da.

Milena de Andrade

Sobre a tela
Sob o teto

Sobre ela
Sob ele

Sobre o mar
Sob o céu

Sobre a terra
Sob o solo

Sobre tudo
Soube nada.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

C. Edu Salles

Psicografia de uma auto-biografia não autorizada

Nasci numa manjedoura, cercado de animais. Uma estrela brilhava intensamente no céu, bem em cima da estrebaria. Mas aí chegou outro casal, com um burro (parece que tinham reserva) e tivemos que sair. Foi melhor assim. Com os meus problemas de coluna, carregar uma cruz seria um verdadeiro calvário!!!

Cedo, fui obrigado a abandonar os estudos. Por isso não aprendi a ler, só a escrever. Razão esta que, mais tarde, me levou a enveredar pelos caminhos da filosofia. Aos treze anos, a conselho médico e sob terrível pressão familiar, abandono o hábito da chupeta. Com isso, inicio minhas sessões de psicoparapsiquiatria aplicada, para recuperação emocional. Mas o hábito da amamentação permanece até os dias atuais. Quando criança sonhava em me tornar um ninja justiceiro, michê só para senhoras idosas ou vendedor de carnê do Baú da Felicidade. Aprendi a nunca desistir dos meus sonhos e por isso, depois de muito perseverar, já realizei dois deles! Mas um dia conseguirei me tornar um grande vendedor do carnê do Baú, só basta acreditar em mim mesmo.

Meus hobbies são adestrar poodles amostrados, vender pamonha na praça e operar minha retro-escavadeira de estimação. Vez por outra, pra defender o orçamento, faço uns bicos como cover artístico do Tiririca, mas nunca me atrevo a querer me comparar com esse inquestionável mestre do humorismo internacional! Também gosto de estudar a belíssima obra poética do rei, Reginaldo Rossi.Sou um cara simples e sem vícios. Só bebo e fumo quando jogo. Não sou supersticioso, porque isso dá azar. Meus maiores feitos até o momento foram ter um romance com Shakira, ganhar o prêmio Nobel na categoria melhor cover artístico e ter o incrível privilégio de conhecer pessoalmente Space Ghost! Sem esquecer, claro, da emoção de publicar meus quadrinhos me tornando, assim, um cartunista mundialmente desconhecido.Se pudesse dar um só conselho a alguém eu diria:“ Mesmo que você esteja mais perdido que surdo em dia de bingo, onde quer que você esteja, você sempre estará lá. Afinal, o importante é o que importa pois se não importasse não seria importante!”.

C. Edu Salles

O ILUMINADO

Certa vez eu estava andando tranquilo e sereno pela estrada a fora quando, de repente, ouço uma voz vinda lá de cima:
-Mas o que é que tu tá fazendo, porra?!
Surpreso com a indagação pensei comigo mesmo, será? Será que finalmente é chegado o momento do encontro tão esperado por uma vida inteira???
-És tu, Deus?! Responde!!!- mas naquele momento não obtive resposta à minha tão bem formulada pergunta. Talvez, para que o contato prosseguisse, eu precisasse insistir na tentativa de continuar este divino diálogo, afinal de contas, "Ele" expôs uma questão de extrema profundidade e que deveria ser respondida:"Mas o que é que tu tá fazendo, porra?"
Realmente. Qual o verdadeiro sentido que estou dando a minha vida? Creio que poderia estar fazendo mais por mim e por meus próximos, semeando a bondade entre as pessoas, trilhando um caminho de luz! Não posso estagnar, devo realizar todos os grandes atos ainda que pareçam impossíveis, suscitar a prosperidade... Como fui abençoado em receber essa intervenção divina em minha vida!!!
-Vai, Deus! Continuemos a prosa!!!
Alguns minutos se passaram e o silêncio ecoava ao infinito até que:
-Mas tu é um bundão!!!- disse de forma estridente a mesma voz de antes, vinda lá do céu.
Fiquei estarrecido com a veemência de sua afirmação. O que eu havia feito para receber tal classificação? Qual a razão desta afirmação?! Claro!! A humildade!!! Por mais auto-suficiente que se possa ser, por mais orgulho que eu possa deter, estaremos sempre ao julgo de um ser mais elevado! Tudo parece tão mais claro agora! Devo aceitar a designação a mim ofertada como mostra de respeito e, acima de tudo, humildade. Quem sabe, a maior das lições que um bundão poderia receber na vida! Graças a Deus!!!
-Obrigado, Senhor, por fazer de minha pessoa objeto de sua suprema sabedoria! A intervenção feita em minha vida agora, renderá frutos, iluminará meu caminho e fará de minha jornada uma trajetória repleta de paz, amor e sabedoria!!!
Naquele instante, logo após o término de minha emocionada declaração, olhei para cima e vi dois funcionários da companhia telefônica fazendo a manutenção das linhas. A voz que havia escutado era de um deles. Fiquei completamente chocado com a descoberta!!! Quer dizer então que.. que.. Deus havia utilizado o corpo daquele pobre homem como instrumento de evangelização!!! Que coisa incrível!!!
Antes de partir eu sorri e a voz declamou:
-Tá olhando o quê??? E tu, Oliveira, seu bundão! Mas tu é mesmo um incompetente!!!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Maria Eduarda Neves

Trânsito


VrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRUUUUUUM CRASH PÁÁÁÁ aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!!!!uon Uon UOn UON UOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOON.TuM tUm... tUM.............tttttuM................tuuuuuuuuum.........mmmmmmm.Píííííííííííííííííííííííííííííííííííííííííííííí..............
.............................................................................................................................................................................
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Hiji

PARTE 3


S: Sim, doutor!

M: Eu também tenho palpites.. (Pausa).

S e P entreolham-se sem entender.

S: Doutor, o paciente tem sentido queimação no peito, dor torácica constritiva, taquicardia, palpitações, dispnéia, sudorese, febre, edema, síncope, cianose...

M: Humm.. (Pausa menor).. Histórico familiar?

S: Doença cardiovascular, hipertensão, diabetes melito, hiperlipoproteinemia...

M: Humm..(Pausa). Glicose?

S: 158mg/dl. Valor de referência 70 a 100mg/dl.

M: Hum.. Colesterol total?

S: 353mg/dl. Valor de referência até 200mg/dl, doutor.

M: HDL?

S: 30mg/dl, doutor.

M: Relação colesterol total/HDL?

S: 11,76mg/dl.

M: Risco?

S: Altíssimo risco, doutor. Talvez seja necessário uma pletismografia.

M: Ahn?

S: Exame de varredura para a tromboflebite em pacientes de alto risco e para identificar a trombose de veia profunda; o fluxo sanguíneo venoso para os membros é calculado através do volume e das alterações de resistência vascular.

M: Hum, eu tinha certeza que era isso..(Pausa menor).. Qual o sexo do paciente?

S: Masculino, doutor.

M: Bebe?

S: Sim, doutor.

M: Fuma?

S: Sim, doutor.

M: Usa drogas?

S: Sempre, doutor.

M: Caso para desfibrilador?

S: Talvez sim, doutor.

M levanta, dirige-se até o paciente e respira fundo antes de falar.

M, para P: Você já devia estar morto!

P (assustado): Mas..

M, para P: Morra!

P cai morto no chão. Pausa. M e S olham para P.

M (tirando a bata): Pronto, está feita nossa catástrofe. (para S): Bebe?

S: Sim, doutor!

M: Fuma?

S: Sim, doutor!

M: Usa drogas?

S: Sempre, doutor!

M: Ótimo, tem um bar aqui perto. Vamos! (joga a bata no chão).

S: Sim, doutor! ( Joga os exames em cima de P).

M e S saem por onde entraram S e P.

Fim.

Hiji

PARTE 2


M (indiferente): Humm.. (Pausa).

S e P entreolham-se.

S: Doutor, a paciente tem sentido queimação no peito, dor torácica constritiva, taquicardia, palpitações, dispnéia, sudorese...

M (indiferente): Hum.. (pausa menor) ..Histórico familiar?

S: Doença cardiovascular, hipertensão..

M: Humm.. Glicose?

S: 88mg/dl, doutor.

M: Valor de referência?

S: 70 a 100mg/dl.

M: Você disse 88mg/dl?

S: Sim, doutor..

M: Pouco..Certeza?

S: Desculpe, li errado, doutor. 108mg/dl.

M: Humm. Colesterol total?

S: 203mg/dl.

M: Certeza?

S: Desculpe, li errado, doutor. 253mg/dl. Valor de referência até 200mg/dl.

M: HDL?

S: Cinqu..40mg/dl.

M: Relação colesterol total/HDL?

S: 6,33mg/dl.

M: Risco?

S: Médio risco, doutor.

M faz uma pausa, troca de livro e começa a folheá-lo.

S (chamando a atenção do médico): Doutor?

M: Sim?

S: Acho que o senhor devia auscultá-lo.

M: Sim, com certeza! (Tira o estetoscópio do pescoço e dá a S) Faça!

S: Mas..

M aponta para o paciente sem falar nada.

S coloca o estetoscópio, dirige-se até o paciente e coloca o diafragma no lado direito do peito do paciente.

S: Doutor, escuto barulhos, mas não o coração..

M: O propósito do estetoscópio é excluir ruídos estranhos, mantenha o tubo curto, não superior a 30/35 centímetros...e as olivas devem adaptar-se rigidamente dentro do ouvido para bloquear ruídos externos.

S (ajeitando o aparelho): Ainda não ouço, doutor..

M: Humm..

S: Acho que ele não tem coração..

S volta e entrega o estetoscópio a M.

M (recolocando o estetoscópio no pescoço): Esses humanos de hoje...

M deixa o livro, pega uma revista e começa a folheá-la.

S e P entreolham-se.

S (chamando a atenção do médico): Doutor, o paciente tem sentido queimação no peito, dor torácica constritiva, taquicardia, palpitações, dispnéia, sudorese...

M: Hum! Você disse palpitações?

Hiji


PARTE 1

Personagens:

  • Médico: bata, estetoscópio, roupa escura por baixo.
  • Secretário: roupa formal, camisa de botão.
  • Paciente: roupa normal, do dia-a-dia.

Ato Único.

Médico sentado lê um livro sentado no seu gabinete (concentrado).

S (abrindo a porta): Com licença, doutor! O paciente das 9h chegou!

M (estala a língua, com o livro ainda aberto): Ah sim, pode trazê-lo.

S entra com P: Por favor, por aqui...

P faz menção de apertar a mão do médico.

M (fecha o livro, pigarreia), para P: Sente-se, por favor. (Aponta a cadeira).

P: Certo. (Senta-se). M senta logo em seguida.

S, para M: Doutor, aqui estão os exames dele. ( Dá os exames para M, que recusa-os).

M (abre um livro e folheia),para S: Glicose?

S: 88mg/dl, doutor.

M, para S: Valor de referência?

S: 70 a 100mg/dl.

M: Certo. Colesterol total?

S: 203mg/dl, doutor.

M: Valor de referência?

S: Até 200mg/dl.

M: Colesterol HDL?

S: 50mg/dl, doutor.

M: Hum.. Relação colesterol total / HDL?

S: 4,06mg/dl.

M: Risco?

S: Baixo risco, doutor.

M faz uma pausa, troca de livro e começa a folheá-lo.

S (chamando a atenção do médico): Doutor, o paciente tem sentido queimação no peito, dor torácica constritiva, taquicardia...

Maria Denice

Somos os vira-latas do mundo!

Entre os cachorros tem os de pedigrees (raça pura-forte e belo), entre eles não há pré-conceitos... Estranham-se, é claro, porém vivem 'civilizadamente' na sua “sociedade animal”. Existem várias diferenças, o mais forte, o mais belo, o reprodutor... Eita vida de cachorro! Eles se cruzam em qualquer lugar ou com qualquer um, pode ser de gênero, idade, tamanho ou raça diferente, se a vontade surgir. Cachorro come cachorro e/ou cadela de raça ou de caça...E em qualquer parte do mundo, cachorro é cachorro... Latem a língua universal... Au, au, au!
E nós brasileiros, homo-sapiens-sapiens, o que somos realmente se não vira-latas do mundo? Somos os vira-mundos, somos imundos, sujos, putos, corruptos inúteis. Tratamos os outros como alienígenas sem tronos ou nobreza, em uma perspectiva de vira-latas alienados que somos.
Orgulhamo-nos de um passado sem causa, de lugar nenhum... Acreditamos que existem cores e raças diferentes num país filho de putas: portuguesas, inglesas, americanas, chinesas, italianas, holandesas, africanas e indígenas. Julgamos diferenças hipócritas que não existem. Somos filhos sem mãe, somos vira-latas hipócritas sem latas, sem casas, sem raças...

Maria Denice

O sonho continua
Você mostrou o caminho
mesmo nos dias frios
que brigamos, te desejo
Te espero, mesmo querendo ir embora
Sei que seus beijos me revivem
Conheço o teu olhar,
mesmo quando fechas os olhos
para que não te veja chorar
Teu sorriso me deu a busca intensa
de te fazer sorrir
Lembro do primeiro beijo...
Lembro como me evitou...
porque sabia que ao se entregar...
estaria perdida...
Sabia que sem mim não existiria você.

Maria Denice

O que há além da porta.

Tic, Tac, Toc...
Alguém bate na porta.
To, toc, toc... devo ou não abrir?
Na surpresa de quem seja, mantenho fechada a porta.
Toc, toc, toc... vou esperar... assim não terei enganos...
Toc, toc, toc... Mas quem será, tão insistente?
Abro ou não abro?
Olho pela janela e não vejo ninguém.
Acho que já foi o inoportuno.
Mas quem será que se foi?
Na minha duvida em abrir...
No meu medo de agir...
Restou a pergunta suspensa... O mistério no ar... Quem será que se foi?
Toc, toc, toc! Ora, será que voltou? Quem será? Vou abrir!
Quem sabe acabarei com minhas incertezas...
Mas olha, não era ninguém... Era apenas um galho que o vento empurrou e bateu no vidro sujo da porta...
Mas e antes...
Será que foi apenas o vento?

Maria Denice

E se houvesse paz no mundo?

E se houvesse paz nos homens?
Como seria as relações humanas?
Se só há guerras pelos conflitos de interesses...
E se houvesse paz no mundo?
Se todos os homens se entendessem e respeitassem, verdadeiramente, a opinião do outro?
Se não houvessem mentiras e trapaças...
Se cada um, fosse o templo da humanidade...
Quem sabe, teríamos paz...
Talvez não haveria miséria...
Principalmente se não fossemos egoístas e hedonistas...
Talvez assim teríamos a paz...
Mas será que para todos a paz é boa?
Afinal, existem muitos que não pensam assim...
Por isso existe o capitalismo selvagem.
A busca pelo consumo e a luta pela vitória.
Vamos consumir a vida do outro...
Vamos matá-los para provar que somos mais forte...
Ai, contamos ao mundo que foram eles que começaram...
Então seremos heróis... Teremos a glória...
Se houvesse paz no mundo não haveria sentido a vida...
Não teríamos a vontade de viver...
Tudo seria bucólico e pálido...
Não concordo com a guerra...
A morte e a injustiça...
Mas o que seria da paz se na houvesse a guerra?
Só existe o sonho de paz, por que o homem que pensa que é deus, se faz humano...

Maria Denice

O fio da vida me levou você
E eu segui andando sem olhar pra traz
Tive medo em meu percurso
Desejei que tudo voltasse e fosse apenas um sonho triste.
Mas as cartas estavam guardadas no fundo da gaveta
O diário que rasguei já não existe
Os nossos momentos
Nossas fotos, já não vejo
A nossa música não escuto
A lembrança do nosso amor já não existe
As feridas sicratisaram,mas deixaram marcas
Os desejos morreram
As flores que me deste murcharam como as tuas promessas
Já não acredito nas palavras
E o que ficou pra traz, ficou...

Maria Denice

O corpo caído.

A agua estava fria e os dedos enrugados!
Madame, madame, eles não são os culpados!
Perdoe-me senhor, acho que esteja enganado...
que nada senhora, meu julgamento é sagrado!

O corpo, caído na piscina funda já me basta como prova.
Que prova senhora? Não passa de um corpo sem cova.
Por isso lhe digo, que foi rejeitado...
Rejeitado? Por quem, se era apenas um desgraçado?

Maria denice

Ram

Me compraram
Me venderam
Me usaram

Me roubaram
Me bateram
Me chutaram

Me deixaram
Me prenderam
Me Estupraram

Me largaram
Me comeram
Me Cuspiram

Me cantaram
Me beberam
Me despiram

Me enganaram
Me esqueceram
Me infligiram

Maria Denice

O dia em que Luci morreu

Lucí foi trabalhar no dia 16 de Outubro, uma terça feira. Seria um dia Comum, só mais um dia na vida de alguém. Porém esse alguém não teve mais dia. Ela tomou um café, pegou sua bolsa e saiu para encerrar sua rotina.
Na esquina da rua principal, ela, encontrou a saída. Essa saída no entanto foi crucial... uma viagem sem volta... um motoqueiro, vestido em couro escuro findou sua melancolia.
Lucí era uma moça comum, sem grandes sonhos ou perspectivas. Morava sozinha em uma casa pequena que tinha um canteiro com muitas margaridas. Seus vizinhos chamavam-la “ margarida Lucí”, ou apenas Lucí por margarida. As margaridas de Lucí eram famosas... Todos queriam ter uma para si.
Espera um pouco, acho que me perdi, mas como foi a morte de Lucí? Já era tarde da noite e o motoqueiro mostrou o caminho...a partir daí Lucí não teve mais dia... Só noites escuras na vida de Lucíola.

A história real:

Mas essa não foi a verdadeira história...
Essa versão pode ser confusa e dúbia, e aos que encontraram seu sentido, podem julgá-la um tanto desaprovável...
Afinal, Contei uma historia sobre uma moça no inicio da sua vida adulta, já sem perspectivas embutida em uma solidão desesperançosa. Esta que descobre o sentido do seu existir ao se prostituir e mudar completamente seus hábitos e até mesmo seu nome.
Contudo por mais absurda que seja a versão fantasiosa, talvez fosse a melhor...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

..Elizanete Santana..

LÁGRIMAS E FLORES

Tu recolhes, gota-a-gota, as minhas lágrimas, e as usas para regar as plantas, quase secas, do teu jardim. Tuas plantas se refrescam com elas, e tu pereces te refrescar com a minha dor. Talvez eu esteja enganada. Mas minhas lágrimas nem te comovem mais. Você toca nelas, manuseia como se fossem um objeto qualquer, e depois as usa para fins banais.
E todas as minhas espectativas esvaem-se, porque o mínimo que eu poderia esperar das minhas lágrimas era que tocassem você. Mas não... Você é que toca nelas. Toca, mas não sente, e depois joga fora.
Bem, ao menos restam a cor, a vida, e o perfume das tuas flores no jardim, pra me fazer sentir a doce ilusão de que não foram em vão as minhas lágrimas.
Sim. Serviram para algo relevante:
Alegraram os jasmins e as orquídeas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Lúcia Helena

O CÉU E A LUA

Do alto do céu
No azul de seu manto
A lua de mel
Admira em seu canto

No azul de seu manto
O céu estrelado
Admira em seu canto
O céu azulado

O céu estrelado
Guarda com muita firmeza
O céu azulado
Com muita beleza

Guarda com muita firmeza
Sua lua de mel
Com muita beleza
Do alto do céu

Lúcia Helena

LÁGRIMAS

São lágrimas que caem
Beijos que vão
Amizades que saem
Junto com o verão

Beijos que vão
Amores que ficam
Junto com o verão
Todos limitam

Amores que ficam
Da terra se vão
Todos limitam
O amor no coração

Da terra se vão
Amizades que saem
O amor no coração
São lágrimas que caem

..Elizanete Santana..

ABRAÇO

Estou me sentindo bem melhor agora. E por isso estou escrevendo esta carta, porque queria que soubesse. Sei que aconteceram muitas coisas entre nós, coisas boas e ruins, mas eu não gostaria que as ruins ficassem gravadas em minha mente.
Sei que agimos como crianças, que nos machucamos com ações e com palavras... É, nos machucamos bastante. Mas a verdade é que as agressões físicas não me doeram tanto, e já não me dóem mais no coração, apesar de eu me lembrar delas de vez em quando. O que me dói mesmo é quando eu me lembro das suas palavras cheias de ódio, e dos seus olhos cheios de rancor, porque eu não conhecia você assim. Eu só conhecia seus olhos de carinho.
Passaram-se alguns dias, até que nos encontramos novamente, lembra? Mas dessa vez você estava sereno. Eu vi o seu sorriso. Nós conversamos enquanto a brisa fria da noite soprava em nossos rostos. Eu me senti leve e tranqüila como há algum tempo não me sentia, e creio que você também sentiu isso.
Vi você, não mais como aquela pessoa estranha, e sim, novamente como aquele que eu sempre conheci: alguém diferente, especial. Eu senti tanta paz naquele momento. Nós sorrimos juntos. Foi algo maravilho de sentir depois de tantos conflitos e tanta angústia.
Naquele momento voltamos a ser quem éramos: duas pessoas que se entendem sem palavras, duas pessoas que se respeitam e que se gostam. Foi como um sonho pra mim, e o melhor de tudo é que foi real. Ali, trocamos não mais agressões e insultos, e sim, um gesto de carinho: um abraço. E o que eu mais desejei foi que aquele momento não acabasse nunca, porque você estava lá do meu lado.
Você estava lá, e com aqueles olhos de carinho que eu sempre conheci.




Clarissa Machado

Poeminha antes de dormir

Por que eu me fiz em passos rápidos
Para colorir as ilusões rabiscadas.
Vi entre as confusões
A mais bela das soluções.
Entre os seios partidos
E as mãos entrelaçadas
Dei-me para fazer borrões
Das minhas paixões mal amadas.

Clarissa Machado

Tempo

Personagens:
Pessoa 1--- segura um livro nas mãos.
Pessoa 2---com uma lixa de unha nas mãos.
Pessoa 3---segura um jornal nas mãos.
Pessoa 4---com um espelho nas mãos.
Cenário:
Limpo, sem objetos no palco, apenas as quatro pessoas,
dispostas uma de costas para as outras formando um quadrado.
Luz:
Bem clara para que todos possam ver bem os movimentos.
Figurino:
Calça preta, blusa vermelha e descalço.

As quatro pessoas estarão de costas umas para as outras, seus movimentos serão guiados pelo marcador que a cada 360 graus a velocidade da marcação aumentará.
Enquanto as pessoas giram no sentido horário, cada uma com seu objeto na mão fingem ler, olhar-se no espelho ou lixar a unha. Quando a velocidade já estiver bem rápida as pessoas sairão cada uma para um lado do palco. Fim da apresentação.

A vida de Vicente por João Severino

Vincente Augusto dos Santos, era um rapaz de desesete anos normal. A não ser pela sua principal característica: ele vivia para os outros. Ajudar as pessoas era seu ideal de vida, sua filosofia,enfim,era tudo para ele. Não raramente era esplorado pelos seus colegas de classe. Os favores iam desde um simples dever de casa até um almoço ou dinheiro emprestado. Porém, as demais pessoas o viam como um rapaz ingênuo, e muito esforçado porque ele jamais reclamarva de nada e estava sempre de bem com a vida. Ajudava as pessoas de sua comunidade de graça e com boa vontade, em trabalhos que iam desde serviços braçais até mesmo um simples trabalho de babá de cachorro ou de qualquer outro animal inclusive crianças. Perto de sua casa, morava Celina Mendes Gouvêia. Celina era uma viúva de trinta e sete anos, cabelos curtos, negros, cacheados e muito bonitos. Ela havia conservado sua beleza, de modo que não lhe faltavam pretendentes. Porém, o que aquela mulher tinha de beleza sobrando, era o que lhe faltava de amor no coração. Celina vivia observando vicente e sempre que via o rapaz praticando uma boa ação, sentia um sentimento de raiva e inveja. Seu jeito amargurado tem um forte motivo: ela presenciou o momento em que seu marido e seu único filho se mataram em uma luta corporal, e irônicamente, morreram abraçados. Tudo porque seu marido lhe costumava bater e sempre seu filho a defendia apanhando também até que na última surra ele resolveu lutar até o fim o que resultou na morte de ambos. Desde esse dia, Celina não acreditava mais na humanidade e achava que todos os homens deviam morrer, que não tinham direito à vida , que a humanidade é a pior coisa que pode existir de ruim, etc. Um dia resolveu falar com Vicente. Ela o desafiou dizendo que" já que você gosta de trazer a felicidade para as pessoas, traga para mim também. "Como?" perguntava ele. "Não sei. Se não descobrir dentro de dois dias eu irei me suicidar e você será o culpado por não me ajudar". O rapaz entra em pânico, sem saber o que fazer. Dois dias é muito pouco! Como fazer uma pessoa que vive amargurada há 3 anos ser feliz de uma hora para outra? Ele pensou muito muito muito e não conseguia a resposta. Então, chegou o dia decisivo e eles se encontraram perto da linha do trem. Celina perguntou para ele se havia encontrado a resposta para a sua pergunta. Ele, tristemente, diz que não. Ela ri triunfante e diz que já esperava isso de uma pessoa que não tem uma vida própia e que não sabe nada sobre si mesmo. Nesse momento Vicente encontra a resposta: exclamando um heureca ele sorri e diz para a viúva que estava agradecido pelo fato dela ter "soprado" a resposta para ele. Celina não entende a atitude do rapaz que havia chegado triste e agora estava contente. Vicente explica que não há como ele trazer a felicidade para ela enquanto ela não se permitir ser feliz. Ouvindo isso, Celina fica imóvel. Vicente continua dizendo que ajuda os outros porque essa é a forma dele se sentir feliz. "Você precisa descobrir algo que tire toda essa tristeza do seu coração. Dê uma chance para os outros. Só você pode trazer a sua felicidade de volta." Depois de uma longa conversa regada a muitas lágrimas, ambos voltam para casa e se tornam grandes amigos. Estes fatos ocorreram entre dez de Março a treze do mesmo mês de 1994 em Recife Pernambuco.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ronaldo da Silva

A Essência


A família Coimbra possui um certo prestigio social na região de sua rua, essa prole tinha o habito de seguir os padrões morais e religiosos. O chefe da família é o senhor Joaquim, um homem que tem como ganância o acumulo de capitais. Já a matriarca é uma mulher muito religiosa que tem três filhos, duas mulheres e um homem, no qual este é o privilegiado da família. A atração principal desse enredo é a moça mais nova da família Coimbra, Helena tem 26 anos e esta cursando faculdade de letras, trabalha em uma escola pública perto de sua casa. Ela é uma garota de aparência vistosa e esguia, o pai tem planos de que ela se case com um rapaz de posses e prestigio social. A família de Helena deu uma educação de moça de família, por isso tinha muito sonhos acerca do futuro da moça, que foram frustrados por um evento ocorrido na vida de Helena, a professorinha chegou a sua casa dizendo ter sido estuprada por cinco homens na saída da faculdade. Após este dia, Helena passou uma semana enclausurada no seu quarto. Após o evento o pai da moça prometeu que irá encontrar esses estupradores e empalá-los, já a mãe da moça reza todo noite para as almas deles irem para o inferno. Os cidadãos estão revoltados com esse acontecimento, afirmando que irão esfolá-los vivos. Um ano se passou e os cinco homens não foram encontrados, mas a mãe de Helena encontrou alguns escritos particulares no quarto da moça dentre eles havia um relato minucioso do ato do estupro: “Minhas mãos acariciavam o pênis ereto do crioulo, em quanto outro me penetrava com seu rígido e voluptuoso membro em minha boca, e os outros três ficavam fitando a cena, masturbando-se, e ao mesmo tempo em que eu era deflorada e que particularmente, eu adorava, pensava no momento em que ao paga-los, irei vê-los indo embora, contando as cédulas. E como se a minha essência fosse junto com eles.” Ao ler, ficou perplexa, a mãe mostrou ao pai e resolveram internar a filha em um sanatório da cidade. Lá Helena encontrou sua essência que havia perdido toda noite ela utilizava o serviço do vigilante e do faxineiro do sanatório.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Simone

Flutuando

Naquela noite voei sobre a cidade, que mesmo morando há tanto tempo, não parecia familiar. Os prédios davam uma sensação de angustia e desespero, pareciam puxar tudo para baixo , tentei me equilibrar e manter a altura. Por alguns momentos as árvores e os telhados roçavam minhas pernas, com movimentos bruscos tentava melhorar minha altitude. Imaginei poder andar naquela altura, mas as pernas não se adaptavam a falta de chão, resolvi voltar a planar. Era um misto de satisfação e medo, mas o desejo de voar era tão forte que superava o temor. Chegava agora a hora mais difícil, voltar ao chão, era o local "seguro", mas assustava muito mais.
Durante várias noites tive o mesmo sonho, voava durante muito tempo sem consegui sair do mesmo lugar.

Maria Denice

Um dia na vida...

Diogo saiu de casa para cumprir mais um dia na vida. Era em sua rotina normal, estava em um coletivo a caminho da faculdade, mas quando chegou ao terminal de integração do ônibus, viu o caos... E por um instante sentiu-se perdido e não soube o que fazer... “E agora José? A luz apagou, a água secou...”
Então pensou sobre o caso:
_O que vou fazer? Se os manifestantes fecharam as ruas... não entra nem sai ônibus!
_Ah, já sei! Vou de metrô! Mas ai chegarei atrasado...
_Ao menos chegarei, tarde, mas chegarei!
Tic, tac...
_Droga o metrô está cheio!
_Que dia de cão...
_Acho que pisei em rastro de corno, ou joguei pedra na cruz.
_Ainda por cima não tenho um puto de crédito no celular pra ligar pra puta da professora e avisar que estou levando o trabalho... É bem provável que ela vá embora e não queira receber meu trabalho, fazendo com que eu perca a viagem.
_Como eu sou azarado! Se eu tivesse saído mais cedo...
_Tic, tac...
_Droga, o metrô está mais lerdo que funcionário público na manhã de segunda feira...
Tic, tac...
_Finalmente cheguei ao terminal do metrô!
_Puta que pariu! Aqui também tem protesto...
_Quer saber? Que se fodam todos, vou a praia encher a cara e rir da cara de que está tentando chegar ao trabalho ou a faculdade...
Esse foi o relato do acontecido em um dia na vida do personagem, que existe em cada um de nós num determinado momento da vida.

Maria denice

Será que será?

Será que vale apena
ser só mais um sonhador
criando cena,
chorando dor?

Será, que será?
Ter tudo e não ter nada...
Falar, berrar!
E continuar cansada...

Lutar, correr...
Pedir, bater...
Sentir, perder...
Matar, sofrer...

Por enquanto sinto...
Sinto o vento...
Da estação de outono...
Sem, motivo e sono...

Não sei o sentido da vida...
Não sei o que mentir...
Já não tenho saída...
Já não te quero sentir...

O que foi não volta!

Nossas juras de amor.
Ficaram no passado...
Tudo foi desperdiçado...
De tudo há apenas a dor...

O amor que me deste era pouco e se acabou...
A história não se repete...
O sonho quebrou...

A musica que toca me lembra você...
Se devo ou não te querer...
No cheiro e na cor..
Se ainda existe o calor...

E nos tempos em que tudo era bom, suave e tranqüilo...
Tudo acabou...
A vida morreu...
Os olhos secaram...
Nosso sonho se perdeu...

As feridas curaram sem sua ajuda...
Já posso ir embora sem medo...
Sem desejo, talvez...
Mas vou, vou crescer e te esquecer...
Mesmo que o destino nos cruze outra vez,
Te olharei com orgulho por ter continuado a mesma...
Por ter sonhado outra vez...

Os desejos não foram suficientes...
Pensava que te amar fosse o bastante...
A chuva na noite me lavou a dor...
A canção que toca no rádio me contou um segredo...
Que a vida continua... e nada me fará voltar...
Lembre do tempo em que disse te amo...
Esse nunca voltará...
Serei mais forte, quem sabe?
Ou serei mais bela, talvez...
Serei eu mesma, melhor sem você...

Mas não tema, a vida continua...
Você ainda pode sonhar...
Eu irei continuar...
A sonhar...
Sem te amar...
Verei a imensidão do mar
e pensarei, que bom... estou aqui...
Continuo viva e livre...

Tudo perdeu o sabor...
Vi, olhei e não enxerguei...
Me enganei...
Desejei...
Me perdi...
Sem senti eu caí...
Mas me levantei e sorri.
Agora a vida tem cor...
Cheiro e calor...

Autoria de: Maria Denice

Simone

Desde a última vez que estivemos na Rua das Mangueiras, não houve nenhum progresso no caso do desaparecimento de Ana e Alberto Valadares. As pistas eram escassas, não conseguimos maiores informações na redondeza, pois os dois não moravam naquele bairro, utilizando a casa apenas como setor de pesquisa e estudos. De acordo com os vizinhos ambos tinham um comportamento reservado, porém amável, sempre apareciam ao local nas terças quartas e sextas, raramente nos finais de semana.
A área permanecia isolada há quase duas semanas, o que não é conveniente para esse tipo de investigação. Mas havia um ponto muito curioso levantado por um dos investigadores que esteve na área no inicio da semana, que sugeriu um pouco mais de cuidado por parte da equipe. Dentro do vaso de flores havia uma substancia um tanto curiosa de cor amarelada que não fazia parte da constituição da água, nem das flores secas que encontramos no vaso. Solicitamos a análise da substancia e percebemos que havia algo muito curioso, parecia tinta, a mesma que fazia parte de todo o rodapé da sala e do quadro que observamos nos primeiros dias. Por que aquela pequena linha de tinta num vaso e no rodapé?

Milena de Andrade

Haicais


Correio
Eu e você
No meio.

Dois
Depois que fundiu:
Fodeu.

Contar segredos
Parece fácil
Mas dá medo.

Milena de Andrade

Ela percebeu que estava velha demais quando saiu numa noite e voltou pra casa cedo, com sono e sem nenhuma companhia. Passou a noite dançando enlouquecidamente, bebendo e dando olhadas indiscretas pro primeiro carinha que cruzasse seus olhos. Percebeu que estava mais velha ainda quando chegou no bar e pediu uma cerveja e, logo ao lado, uma menina perguntou-lhes: - Tia, que horas são? Ela tinha classe e, por mais puta que estivesse, não quebraria o bar só porque a menina tinha lá seus 15 anos e achava que todo mundo era sua "tia". Respondeu com paciência, tomou sua cerveja e saiu do bar. Sorrindo. Após o show, jogada numa cadeira, ela achava que ainda podia conquistar alguém só de olhar e investe no caso. O carinha lá tinha uns 27 anos. Ela, no auge dos seus 35, jovem ainda, decidiu que não faria mal jogar uma conversa fora e ir conquistá-lo. Tarde demais. Logo após seus pensamentos terem se materializado na sua frente, o carinha gritou: - Valéria amor, cadê minha cerveja? E ela, do alto de seus saltos, desitiu mais uma vez.
Não bastasse esses dois acontecimentos chatos, na hora que decidiu voltar pra casa e chamou o táxi lembrou-se que não tinha dinheiro suficiente. Abriu a porta, entrou no táxi e disse: - me leva. O taxista assustado com o estado de embriaguês daquela dama, perguntou: - pra onde a senhora deseja ir? ela, sem pensar: - pra puta que pariu!

Milena de Andrade

- essa casa é pequena demais para nós dois. (disse ela, dando as costas)
- então que saia você. (disse ele, de cabeça baixa)
- eu não tenho para onde ir.
- e eu não sei viver sem ter teu cheiro na nossa cama.
- no seu caso, pode ficar com a cama.
- eu não pretendo levá-la daqui
- e eu não quero que continues aqui.

*silêncio*

- não bate a porta. (disse ela, chorando)
- pode deixar. (disse ele, de saída)
- ah, não esquece de ligar avisando que chegou bem.
- pode deixar.
- e vê se te alimenta.
- pode deixar.

*silêncio*

- eu ainda te amo. (disse ela, baixinho)
- pode deixar que eu não vou mais chorar por você, nem te procurar, nem te amar mais. (disse ele, do outro lado da porta)

Maria Eduarda Neves

Novos Tempos


مريم diz:
ei
مريم diz:
cadê o bebe de milanny?
مريم diz:
tá guardado ainda?
Maysa diz:
tah guardado
مريم diz:
ela vai pegar ele qnd?
مريم diz:
eu ouvi uma coisa mt fofa num filme
Maysa diz:
daqui a 2 meses e meio
Maysa diz:
o q?
مريم diz:
um menino foi contar q sua mãe estava grávida e disse:
ela tá com pãozinho no forno.
uehueehuehuehuehueheuhuehuehuehuehuehuehueheuheuheue
مريم diz:
eu choro de rir soh de lembrar.
Maysa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
مريم diz:
milanny tah com pãozinho no forno
مريم diz:
tem foto do forno dela?


(Maysa envia a foto)


مريم diz:
gente eu vi milanny de farda
Maysa diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
مريم diz:
o tempo voa,viu?
Maysa diz:
nós estamos ficando velhas duda
مريم diz:
são mt estranhas essas novidades p mim
مريم diz:
pq minha cabeça ainda é de criança
Maysa diz:
owwwwwwwwww
مريم diz:
e eu paro e me deparo q já cresci.

مريم diz:
sério,pô
مريم diz:
é tudo muito novo
Maysa diz:
é mesmo
Maysa diz:
às vezes eu n acredito
مريم diz:
sair do colégio
مريم diz:
coisa q eu achava ser d gente grande
مريم diz:
entrar na faculdade,trabalhar,ser maior de idade.
مريم diz:
é muita coisa de uma soh vez
مريم diz:
e ngm prepara a gente pra crescer
Maysa diz:
é verdade

مريم diz:
até hj n me dou conta d q posso dirigir

A transferência de "Apresentação2.ppt" está concluída.

Maysa diz:
antes nós queriamos tanto ficar maior de idade mas se hj eu pudesse voltar no tempo eu voltaria
مريم diz:
eu não
مريم diz:
mas passou muito rápido
مريم diz:
é incrivel,qnd a gente estava pqna demorava muito pra passar um período,mas o tempo voava e a gente não percebia.
مريم diz:
ainda tô de queixo caído com tanta novidade
مريم diz:
Qnd éramos menores a gente se chocava pq fulana deu,ou tava namorando um cara mais velho.
مريم diz:
mas agora,fulana vai ter bebe,sicrano casou
مريم diz:
gente,ngm me preparou p tudo isso.

مريم diz:
posso postar essa conversa num blog da facul?
مريم diz:
pq a gente tem q escrever
مريم diz:
e eu achei tao poética a nossa conversa,uehuehuehue.
Maysa diz:
hehehehehehehe
Maysa diz:
vc q sabe
مريم diz:
entao vou pôr.

Ricardo Mendes

Capítulo V

Um triste fim e o legado de Jow

Passaram-se vinte históricos e longos anos naquele diálogo intermitente entre o magnífico Jow e sua garotinha. Sim, só foram cinqüenta anos porque a incrível filhinha do magnífico Jow era pavio curto e não tinha mais paciência para ouvir aquela tediosa história por mais nenhum segundo e também o pobre Jow veio a falecer, vítima de evacuação freqüente de fezes líquidas e abundantes e eternas. Pobre Jow, ainda durou muito.

Pouco antes de sua morte sua filha, A incrível filhinha do magnífico Jow, condenada a ouvir a história do seu papai Jow, o magnífico, por vinte longos e ininterruptos anos ininterruptos havia tomado uma importante decisão. Como forma de se rebelar contra seu pai e recuperar o tempo que perdeu ouvindo a história da gata preta por vinte ininterruptos anos ininterruptos e unir o útil ao agradável, decidiu virar prostituta em um brega da periferia .Porém, ao que se sabe da filhinha do Jow, hoje uma senhora de quarenta anos que ainda usa lindas sardas no rosto e usa óculos de zilo, fundo de run montila amarrados por um cordão de nylon e cabelos ondulados (on du lado e on du outro) e por isso ainda usa dois lindos cocozinhos com dois lindos lacinhos cor de rosa naum é uma profissional bem sucedida pois gasta todo tempo que tem com seus clientes, contando incríveis histórias tediosas e redundantes .

No túmulo do magnífico Jow podemos ler:

“ Aqui jaz o magnífico jow, o incrível contador de história tediosa e redundante. Padeceu de caganeira crônica, mas deixou uma linda e emocionante e comovente história tediosa e redundante para a humanidade.”

FIM

sábado, 1 de dezembro de 2007

Marconi Lira

Teu Sorriso Ana

Teu sorriso Ana é um maravilhoso provocador de minha felicidade.
Sorriso doce, sincero e espontâneo
Que me faz sentir tua alegria quando estás ao meu lado.
Gosto quando digo ou faço algo que te causa alegria e te faz sorrir.
Sinto-me completo vendo teu rosto adornado e iluminado por teu sorriso.
Sorriso que é meiguice e maciez juntas; delicioso de ver e de sentir.
Sinto minha alma abraçada por ti através dele.
Embevecido muitas vezes fico sem palavras,
Aí meu coração enlevado só pode responder com outro sorriso, com um tímido sorriso.
Teu sorriso é doce, é reconfortante e encantador.
Ele perfaz a minha felicidade.

Marconi Lira

No parque...

Como de costume lá vamos nós em busca de um bando desocupado no parque. Procuramos, olhamos, e parece que todos os casais escolheram aquele dia especificamente para ir ao parque também. Após uma curta, mas receosa (de não encontrar um banco vazio) caminhada, finalmente encontramos um banco desocupado, e dos melhores, comprido com tábuas largas e de certo modo confortáveis. Só que ele está a vários passos de nós e percebemos outro casal demonstrando vivo interesse em se apossar de nosso objetivo. Olho para ela e ela para mim, sem dizer palavra, apressamos o passo para tomar posse do nosso alvo. Ela dá um leve risinho por perceber quão boba é nossa atitude. Chegamos a tempo e sentamos. O outro casal parece ter avistado outro banco e mudaram de direção. Colocamos nossas mochilas de lado, posicionamos nos espaços entre as tábuas do banco os cocos que compramos para tomar. Abrimos a sacola contendo os dois yakisobas. Comemos, eu com muito mais apetite que ela; eu gosto mais, deve ser por isso. Feitas nossas refeições, deito no banco e apoio minha cabeça no colo dela. Ela carinhosa como sempre, alisa meus cabelos, me olha nos olhos e sorrir. Também a olho e sorrio admirando aquele belo sorriso. Começo a olhar os outros casais naquelas posições de praxi, salvo raras exceções nos mesmos movimentos de sempre e tudo mais. Olho para a luz do poste e ela me fere os olhos me causando uma desagradável sensação. Fecho os olhos e ponho o braço para cobri-lo da luz incômoda. Então ela pergunta como foi meu dia no trabalho. Pronto, vêm à tona todos os estresses armazenados durante aquele dia. Começo(entre impropérios) a falar todos os problemas que tive durante o dia. Falo, falo e falo. Ela sorrir, me beija na testa e acariciando meu rosto me manda ter calminha, dizendo que o dia no trabalho já acabou e que nada mais importa. Amanhã será um dia bem melhor, meu amor, ela diz. Sua voz e seu jeito de falar são calmantes poderosos. Já com a calma restabelecida pergunto a ela como foi seu dia de trabalho. Ela de temperamento bem mais calmo que o meu, fala com serenidade sobre os problemas que teve durante o dia, não esquecendo das coisas boas que por ventura tenham ocorrido. Após isso, mudamos de assunto e falamos sobre o futuro. Que vida feliz.