quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Hiji Henrique
Porte.
Transporte.
Comporte.
Morte.
Arte.
Parte.
Reparte.
Limpar-te.
Sorte.
Morte.
Arte.
Marte!
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Milena de Andrade
O que ele não sabia é que um presente pode ser uma coisa e pode ser outra. Na verdade, nem eu sabia o que poderia ser um presente para um ex-interno de um hospital. Falei com a Rafa, ela me deu 20 paus. Pedi uma roupa limpa, toalha e fui tomar banho. O Z demorou demais no banheiro, de modo que tive que bater na porta pra ele sair mais rápido. Tomei banho. Enquanto eu estava sob aquele jato de água gelada, pensava no que poderia dar de presente pro Bio. Não sei o que me levou a dizer que ele seria presenteado. Não sei, mas sentia que deveria dar alguma coisa que realmente importasse pra mim e pra ele. Durante o banho pensei em palavras novas a serem inventadas e pensei o quanto era bom o sentimento de liberdade. Logo me veio a expressão: alma que voa. Ao chegar na sala novamente, o vi sentado no sofá com a Rafa e o Z, acho que estavam falando de mim, não sei, mas se calaram quando eu apareci. Não quis perguntar nada e nem entender aquilo, apenas olhei pro Bio e disse: - alma que voa. E ele ficou sem entender nada. Saí.
As ruas eram estranhas. Nem parecia que eu estava morando em São Paulo há 11 anos. Eu não tinha mais referências de bairros, nada. Tudo que eu me lembrava referia-se ao Recife e à minha infância. Lembrava do parque 13 de Maio, do parque da Jaqueira e do Recife Antigo aos domingos. Fui até o ponto de ônibus e perguntei como fazia pra chegar na Paulista e um senhor me indicou a linha. Durante todo aquele trajeto eu me perguntava se deveria voltar ao Recife, o que eu daria de presente ao Bio e como eu iria reconstruir a minha vida ao lado daqueles desconhecidos. Eu não queria voltar a ser quem eu era no sentido de querer procurar meus antigos amigos, minha companhia de balé, meus alunos, minha mãe no Recife. Nada daquilo me pertencia mais. Eu agora era um começo, e um começo sem voltas.
De volta à casa da Rafa depois de andar a tarde toda pelo centro (e até acabei dando uma passadinha no Ibirapuera pra caminhar e dançar ao ar livre) chamei o Bio até a cozinha e entreguei-lhe a sacolinha com meus presentes.
- Isso é tudo que consegui comprar e também é tudo que significa pra nós dois quase as mesmas coisas.
- Obrigado. (abrindo o saco)
- O que me diz? Vamos escrever muitas coisas juntos? Palavras, haikais, crônicas, poesias?
- Cara, que legal! Valeu! Tava mesmo precisando de um caderno em branco.
- De nada.
Comprei um caderno todo em branco para ele e outro para mim com dois lápis e duas borrachas. Agora nós poderíamos escrever e desenhar tudo o que quiséssemos.
Começava ali alguma coisa, gosto de chamar de gota de cumplicidade. Amizade pra quem quiser.
domingo, 28 de outubro de 2007
Marconi Lira
Meu Deus.
Minha família.
Meu amor.
Minha amizade.
Minha saúde.
Meu coração.
Meu talento.
Meu desejo.
Meu poder fazer.
Meu conseguir.
Ah! Que coisas maravilhosas!
São minha vida!
Marconi Lira
É claro que eu te amo! Por quê?
*
Ah! Era uma amiga minha que há muito tempo não via.
*
De onde você tirou essa idéia? Nada a ver. Ela é só uma amiga.
*
Que absurdo! Não houve nada disso, você está vendo coisas demais!
*
Mas não estou mentindo!
*
Mas meu amor, eu estou dizendo a verdade! Por que eu mentiria? Será possível! Ela é apenas uma amiga! Só uma amiga, entendeu?
*
Tire isso da cabeça, por favor. Não tem nenhum fundamento.
*
Meu Deus! De novo! Eu não estou mentindo! Quantas vezes terei que repetir isso?
*
Olhe; calma, você bem sabe que eu seria incapaz de fazer tal coisa, não sabe?
*
Pare com isso, meu anjo. Esqueça isso, por favor! Estávamos indo tão bem. Vai se por nada que vamos estragar nosso relacionamento?
*
Então meu bem, esqueça essas bobagens. Eu te amo e você sabe!
*
Nada de mas, minha linda. Esqueça isso e pronto. Escute, qualquer dia eu te apresento a ela, tá? Aí você verá como ela é uma pessoa maravilhosa.
*
Certo, você que sabe. Mas vamos mudar de assunto. Queres sair hoje?
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Maria Eduarda Neves
Maria Eduarda Neves
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Milena de Andrade
Segundo dizem, tive aquele surto depois que não fui chamada para integrar o balé da Rússia, isso mexeu demais comigo. Fiquei de um jeito que não conseguia mais fazer as coisas normalmente, além de não querer mais dançar. Estranho, afinal, a Bailarina nunca pára de rodopiar, seja ao som dos bandolins ou não. Mas eu parei. Chamo-me Milena, mas quase ninguém me chamava assim, desde os tempos da escola de dança que me chamavam de ‘A Bailarina’. Graciosa e sorridente, sempre disposta a fazer o que fosse preciso e também o que não fosse. Sagaz e audaz, esses dois adjetivos me definiam bem.
Desde que fui internada na “colônia de férias”, há exatos 7 meses, sentia-me confortável, porém só. Nunca quis fazer amizade com ninguém por lá e depois de uns dois meses de indisposição voltei a dançar pelos corredores do hospital, como que num palco. Sem pudores e sem vergonhas, apenas dançava coreografias imaginadas na hora ou repetia aquelas que já havia dançado outrora. Ouvia os comentários das pessoas pelos corredores, mas fingia que não ouvia nada. Sempre os mesmos: “Olha lá, a bailarina dançando mais uma vez. Será que ela é doida de verdade?” ou ainda “Essa menina não parou de dançar o dia todo, ela vai acabar desmaiando.” Nunca dei ouvidos àqueles caretas.
Mas, aquele dia estava estranho... Senti no clima, no olhar de alguns delinqüentes insanos que aquilo ali estava confuso. Passei a manhã inteira quieta, imaginando como seria retomar a vida depois que deixasse a “colônia” e como seria voltar a dançar. Será que eu voltaria a dançar? Será que eu seria chamada novamente para integrar outro balé tão importante? Eram tantas dúvidas e questões na minha cabecinha que eu preferia só observar aquela cena. Nada aconteceu. Até que um louco esmurrou um enfermeiro e tudo que eu estava sentindo se materializou ali na minha frente. Corri. Até o meu quarto e tratei de calçar as sandálias e sair correndo até o pátio novamente. Podia ser uma rebelião, podia ser uma tentativa de homicídio, eu tinha que saber. Tudo foi muito rápido, eles estavam mesmo com tudo bem planejado. Assisti tudo de camarote e quando gritaram que era o dia da esbórnia tratei de sair dali. Mas saí calma e andante. Sem euforias. Não queria parecer mais uma louca no meio daqueles tantos que corriam pela rua como ex-reféns. Eu fui tranqüila e calada. Quando avistei aqueles que eu julguei serem os idealizadores do movimento libertador, segui-os de maneira sutil e sem que me vissem. E quando entraram naquela casa, tive a plena certeza de que deveria tocar naquela porta. E o fiz.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
André Nunes

E é quando isso acontece que Ela, a grande Alma Divina, aparece uma vez no mundo pessoalmente para trazer de volta a luz. Sobre várias formas, Ela já apareceu como peixe; tartaruga; javalí; metade-homem, metade-leão; salvador; iluminado... mas agora Ela virá numa forma muito diferente das demais. Na forma de uma atraente e bela mulher ruiva de olhos azuís.
Seu nome é Tanaojin.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Amanda
PAI já está vestido para o trabalho.
Ele vai para sala, se senta no sofá e lê o jornal enquanto o café não está pronto.
Bzzzzzzzzzzzzzz
Um zumbido irritante o ronda.
Bzzzzzzzzzzzzzz.
MÃE termina de preparar o café.
O café está na mesa e MÃE vai se arrumar para trabalhar.
PAI continua a ler jornal e o zumbido irritante ainda está por perto!
Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
O zumbido vem de TOSCA, uma mosca muito esperta, que está apenas aproveitando para ler o jornal também e se informar do que está acontecendo durante suas poucas horas de vida.
PAI, sem conseguir se concentrar direito no jornal decide então, tomar café e se afastar de TOSCA.
Só que PAI não imagina que TOSCA também sente fome e ao ver que ele vai comer, ela aproveita para ir também!
Enquanto PAI come e vê tv, TOSCA se diverte bastante na mesa.
Mas PAI não gosta do que TOSCA está fazendo e a espanta diversas vezes.
Comer então para TOSCA deixa de ser uma diversão e se torna um desafio.
De repente um momento mágico acontece.
PAI se distrai com a tv e TOSCA se depara com uma imensidão laranja, de um cheiro muito agradável e de um sabor maravilhoso: o mamão.
Os inúmeros olhos de TOSCA brilham e ela demora a acreditar que aquela enorme fatia de mamão é só sua!
Mas enquanto TOSCA está imersa em seu momento mágico, PAI vê ali uma possibilidade de dar fim naquele zumbido que tanto o irritava.
Quase como um ninja PAI pega o mata-mosca e ...
PAH!
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Flavio
Desembarca VERONICA
PAOLO__________________________________________________VERONICA
__________PAOLO________________________________VERONICA________
________________PAOLO____________________VERONICA______________
________________________PAOLOVERONICA__________________________
________________________VPEAROOLNOICA_________________________
.
Flavio
TOC________TOC________TOC ________TOC________TOC________TOC
Corta!
Ação!
TOC____ TOC____ TOC____ TOC____ TOC____ TOC
Corta!
Ação!
TOCTOCTOCTOCTOCTOC
Corta!
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Flavio
esta o pensar
O tempo é que habitamos
no pensar nos desenrolamos
do que o tempo determinar
Traçar algo que se apaga
Insistir em riscar datas
Tentando o vento amarrar
Flavio
Leve-me também
Nem que seja para o ontem
Nem que seja para o infinito
Os dias não passam, minha alma segue
Tempo venha comigo
Seja meu cúmplice e amigo
Seja fiel enquanto puder
Flavio
Não há dor
A conta vem quando acaba
Buscamos uma saída frustrada
Para não pagar o credor
Mas podemos sempre negociar
Quando este insistir em fechar
Pode-se fazer de rogado
Propondo fazer um fiado
Pra ter um amor para recordar
Flavio
dizer que foi tudo um erro
para não continuar
Beleza precisa, movimento perfeito
tudo isso esqueceram
Apagar tudo, não deixar marca
Porque de onde nascemos
tateando cego seguiremos
Nos labirintos do minotauro
incrédulo de completar-se
Flavio
o alem sussurrando ao meu ouvido
Dentro o medo provoca o gemido
do real mergulhado no sonhado
Séculos e séculos só de verdade
espera o encontro com a luz
Dentro do peito uma dor que reluz
mais eterna que a eternidade
Flavio
Íbis ave do Egito
Grotesca e rude
Grita Groooooo
O dia inteiro
Tentei em vão alcançar
Impeli pés mecânicos
Manquitolando infinitum
Marcar cra, cra, cra
Com manso esperar um dia chegar
sábado, 13 de outubro de 2007
Milena de Andrade
Números
01. (zero um) mais um.
02. (zero dois) o chefe.
06. (zero seis) ele mesmo.
E assim começa a histórias dos homens números.
Lugar comum, lugar qualquer, aqui, ali ou em qualquer lugar, tudo é bem rotina. 02 dispara as ordens, quer ser atendido o mais rápido possível, claro. O tempo pra ele é dinheiro e como todos, ele não quer perdê-lo. 01 cuida em atender as ordens, sabe que o emprego, apesar de arriscado, traz bons lucros. Não quer ter a mão decepada por um descuido que pode ser evitado. Ele sabe como executar as ordens, sabe como chegar junto, sabe fazer com que paguem o montante devido na hora e local especificado. 06 é apenas aquele que segura as pontas quando dá, quando não dá, paciência. É o primeiro a entregar os fatos, correr com a carga e fazer a fita. Ele sabe bem que “se vacilar o jacaré abraça" e sabe o quanto dói o abraço do jacaré. Depois de dois tiros de raspão, o que ele mais faz é correr rapidamente pelos becos e vielas.
Longe dali vive um cidadão. Residente no número 224 e que sai todos os dias pro trabalho. Toma o ônibus da linha 1758 sempre às 7:03 da manhã. Chega ao trabalho, entra no elevador e pede: 5° andar. Sala 1, a sala de recepção. Senta na máquina 1 e começa, das 8:00 às 18:00 aquele trabalhinho de merda, que no final do mês rende uns 500 paus, mas e daí? Dignidade é tudo, né?!
02 resolve que as coisas vão mudar por ali, afinal ele quem manda. Chama atenção do 04 porque ele não está sendo eficiente, diz que se mais um vacilo acontecer, quem vai voar é ele. Aqui o culpado nunca é o boss, nunca 02 será culpado por um erro, mesmo que ele que erre. Sabe, a hierarquia aqui é uma coisa impressionante. Sempre foi seguida. Enquanto 03 e 07 vivem de soltar fogos no telhado e ganham em pó para isso e também para os manter acordados, 02 pesa, mede, filtra, empacota, alinha, passa o troco, pega a grana, paga o toco. Com ajuda de um aqui, outro ali, consegue driblar os gambés, os alemão, os porcos fardados e faz uma incrível rede de mercado sujo e inabalável. A não ser quando aqueles com sede de justiça resolvem fazê-la com as próprias mãos, aí já viu, né?! Lá vem merda. Mas fora isso, tudo reina na santa paz de Deus, ou do Diabo, por quê não? Ali ninguém sabe a quem pedir ou agradecer, na verdade. E tanto faz, o destino é só um: 12 na cabeça, mas até lá muitos litros, quilos, tiros...
Às 18:00 o cidadão trabalhador volta pra casa, dessa vez de metrô. Linha verde, 3ª estação depois da subida. Aquele mesmo trajeto há 9 anos. Quando chega em casa, a mulher e as duas filhas o esperam pro jantar. E após a novela das 20:00 todos deitam para mais uma noite de sono e mais uma jornada no dia seguinte. O que na verdade ninguém sabe é até quando 02 continuará no comando, até quando o cidadão ficará imune às balas perdidas e à corrupção que lhe salta aos olhos, e por quanto tempo a pseudo-paz reinará na Vila de Todos os Santos. Como tudo ali é relativo, inclusive as ladeiras, o que se pode prever não passa da previsão do tempo, dada pelos jornais. Certezas só da morte, e essa todos têm. Uns sabem somente como irão morrer, é o caso de 04. Ele sabe que ou de pó ou de bala, muito bem acertada, obrigado. Enquanto isso 02 consegue iludir e ludibriar mais uns 05 para o seu exército. Enquanto isso mais uns 5 policiais são colocados pra fora da corporação com as denúncias de corrupção e irão se candidatar ao posto de soldados do 02. Enquanto isso, mais uns 5 cidadãos da cidade do caos morrem, com pelo menos 2 tiros de 38, por negligência de uns 5 soldados, de qualquer um dos lados.
E o saldo? 5, 10, quantos mil? 02 não quer saber, o que importa é o barato fazer efeito, o devedor pagar direito, o gambé dá o seu jeito pra que tudo saia perfeito. Caiu mais um com um tiro no peito.
Milena de Andrade
Divago
Divulgo
E ainda (há)vago em mim.
Nem trato
Nem truta
É tudo filho da puta.
Arte
Transpirar
Faz parte.
Flavio
este é indizível
Como um enigma do enigma
vento de boca que nunca finda
Tentando dividir o indivisível
Flavio
melhor não pensar
Para ser completo e inteiro
esqueça a ti mesmo
Contente-se só com olhar
A fera confia sem confiar
Olha só o que esta
Age sem racionalizar
Sem saber não erra
Completa-se em si ignorar
Flavio
marca a pedra também
Somos pó de estrela
contendo o tempo e a beleza
o eterno e o alem
Se o eterno também é o instante
a marca de ontem
não é a de hoje
Enquanto observa foge
enquanto marca some
Flavio
elas são tudo que somos
São contra si mesma
e para consigo mesma
Também um eterno desencontro
Quando crescem e cresce a duvida
mais parecidos ficamos
Outro mundo se revela
em si mesmo se encela
Pra contemplar o que já fomos
Maria Eduarda Neves
Uma mãe e sua filha passam de mãos dadas pelo cenário todo branco com apenas uma mancha esférica preta na parede, a menina aponta para a mancha.
Filha: Mãe, o que é isso?
Mãe: Nada!
Mãe e filha saem.
A filha volta só e espia o buraco, tenta exaustivamente entrar e depois de um intervalo de tempo consegue.
A filha cai sentada, tudo está preto, não se vê nada.
Filha: (grita sem sair som)
A filha se desespera, puxa os próprios cabelos, tira o sapato e dele cai uma pedra.Ela joga a pedra pra frente.
(Intervalo de tempo)
A pedra vem pelo lado oposto bate na cabeça dela e a joga pra fora da mancha
A filha cai sentada no chão (no cenário todo branco)
A mãe volta à cena e se dirige à filha
Mãe: O que você está fazendo?
Filha: Nada!
Maria Eduarda Neves
As cores, os cheiros (nem sempre tão agradáveis!), as figuras inusitadas como uma senhora pedinte maquiada com a boca banguela escancarada num sorriso. Relíquias escondidas nos becos, como uma capa de vinil ilustrada por Virgulino. O brilho dos materiais dentro de uma loja escura, onde o escuro engole as formas das coisas. Um bêbado sujo tentando dormir na calçada quente. O parquinho que dorme de manhã. Os “tiro ao Álvaro” que nem Adoniran resistiria. O amontoado de coisas o amontoado de igrejas o amontoado de lojas o amontoado de pessoas. Essas ruas me deram a imagem de cenas de livros de Rachel e Graciliano, sem deixar de mostrar a vida independente que as ruas têm, como em O Cortiço. As idéias quentes do grupo ao sol. O carrossel parado que jamais está imóvel. A enxurrada de relógios contrária a atemporalidade que o cenário sugere.
Maria Eduarda Neves
- Dona Georgina, o pão du armário ta véio, vô lá im Biu.
Mas a resposta era a mesma de quando avisou que o baú empoeirado da patroa estava tomado por traças: pigarro e barulho dos dedos de marcassita batendo as cinzas do cigarro.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Milena de Andrade
Chegou. Tirou os sapatos na porta e entrou sem fazer barulho. Achou, por um instante, que eu não acordaria; ledo engano. Eu nem havia dormido. Esperava-o calmamente na janela, com um cigarro nos dedos contemplando o sol nascer. Linda manhã de domingo. Entrou e seguiu pra cozinha sem me ver. Preparou uma inda bandeja de café, leite e torradas. Seguiu pro quarto na esperança de me acordar e tomar o café comigo. Em vão. Segui-o até lá e conversamos enquanto comíamos. Contou-me da noite, falou-me das risadas e dos comentários feitos. Acontece que eu não estava nem um pouco afim de ter ido àquele jantar, por isso preferi Chico e Caê na vitrola. Eram 7:00 da manhã e nós tomamos banho juntos para dormir. Por volta do meio dia acordamos e resolvemos assistir velhos filmes. Brigadeiros e cafunés e ao deitar, para dormir novamente, aquele beijo na testa e o 'eu te amo' que só me enchia de orgulho bobo.
Lúcia Helena
O sapato tem salto baixo
Mais baixo que o salto do sapato é o salto do Sávio
Sávio não salta,
Mas salta o sapo
Que sapo salta mais baixo que o salto do sapato?
O sapo que salta
Mas todo sapo salta
Mas não salta como o salto do sapato
O salto do sapato é baixo
Lúcia Helena
O carro quebrou na subida do viaduto.
Um amigo prestou socorro.
A rua estava movimentada.
Houve um grande congestionamento na via principal.
Um acidente gerou toda a confusão.
A cidade ficou isolada.
O médico não conseguiu chegar a tempo.
Uma criança está ferida.
A ambulância está impedida de avançar.
Ainda é manhã quando tudo acontece.
Minha amiga, Cris, me espera no Shopping Sul.
Estou cansada de toda essa confusão.
Todo dia tudo se repete.
Pensou Mariana, enquanto se arrumava para o trabalho.Pensou Mariana, enquanto se arrumava para o trabalho.
Todos os dias a mesma coisa, o rádio noticia o caos em que está a cidade e a dificuldade que ela terá de enfrentar para cumprir os seus compromissos, inclusive o de encontrar-se com Cris, sua melhor amiga.
Mariana é uma jovem bonita, de longos cabelos castanhos acobreados, que emoldura um rosto de estrutura perfeita e delicada. Aos 25 anos, formada em Administração de empresas, conseguiu sua independência financeira ao ser contratada por uma empresa multinacional, para o cargo de superintendente de recursos humanos. Filha caçula de uma família de quatro irmãos conquistou o direito de morar sozinha graças ao apoio de seu irmão mais novo, Toni.
A família de Mariana não é rica, mas todos têm boa formação e receberam uma boa educação doméstica. Seus pais, Seu Romeu e dona Anita, são pessoas simples, e apesar da idade possuem uma mente muito avançada para o seu tempo. Mesmo com as diferenças entre eles e seus filhos, sempre procuraram fazer o melhor para o futuro deles dando a todos muito carinho, atenção e conforto, razão pela qual não conseguiam entender o desejo de sua caçula em sair de casa para morar sozinha. Para D. Anita, a filha não gostava mais deles devia sentir vergonha dos pais, já idosos e da casa onde morava, visto que agora ela era uma alta executiva. Esses pensamentos estavam deixando o clima na casa de Mariana cada vez mais pesado e a tristeza era muito evidente.
Graças à perspicácia e a atitude de Toni, que percebera o que estava se passando com os pais e Mariana, ele conseguiu, ao seu jeito, mostrar aos pais que eles estavam enganados, que essa fora a forma que Mariana pensara para amadurecer e crescer com indivíduo, buscando se tornar mais eficiente na sua vida profissional. Como ela poderia ajudar ou resolver os problemas de sua área – Recursos Humanos – se ela não tinha nenhum problema na vida a não ser a boa convivência com a família? Como entender quem não tinha família e não conseguia se ajustar ao trabalho, se esse era um universo nunca imaginado ou vivenciado por ela? Com esses argumentos e outros mais dramáticos, nem todos verdadeiros, ele conseguiu convencer a família de que o desejo de Mariana era algo importante para seu futuro. Enfim todos concordaram, e a ajudaram em seu projeto de vida.
Dessa forma, hoje, Mariana se prepara para mais um dia de grandes compromissos e de trânsito infernal em sua cidade.
Devido ao acidente na via principal, Dr. André, um respeitável médico do Hospital de Urgências da cidade, referência para os demais hospitais, enfrenta o problema de como chegar a tempo para seu plantão, pois todos os acessos estão bloqueados por conta do acidente.
Enquanto pensava em suas dificuldades, percebeu a dificuldade que a ambulância estava tendo para se aproximar do local onde as vítimas se encontravam, foi então que ele notou que estava bem mais perto, imediatamente colocou o carro sobre uma calçada para livrar a passagem e saiu em direção aos feridos. Ao chegar, constatou que se tratava de uma mulher e duas crianças, onde os meninos choravam muito, mais pelo susto do que por ferimentos. De imediato ele percebeu que o garoto mais velho estava segurando o braço esquerdo, como se este não pudesse se mover, ele cuidadosamente, como todos os médicos dedicados fazem, retirou a criança do carro e ajudou a colocar uma tipóia improvisada, acalmando o garoto que logo parou de chorar e pediu para ele ajudar sua mãe. André vendo que ela esta desacordada, priorizou o atendimento ao outro garoto, que embora não tivesse nenhum ferimento aparente, não parava de chorar. Acalmado o segundo garoto e colocado junto do irmão, André foi verificar a situação da mãe, nesse momento a ambulância, enfim, chegou ao local do acidente.
Após chegar ao Hospital, André descobriu que a mãe dos garotos se chamava Cristina ou Cris, como os amigos a chamavam. Cris estava indo levar os filhos para a escola e depois ia se encontrar com sua amiga Mariana, para quem, ela pedira aos médicos para avisar do acidente e de onde ela se encontrava.
Lúcia Helena
O tempo esfriou
A rua fechou
O carro quebrou
O chefe atrasou
O sinal quebrou
O mundo parou
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Flavio
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Pete e Repete estavam no barco, Pete caiu quem ficou?
Universo: Repete
Homem: Repete........................ ai!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Universo: Porem não erro
Flavio
Aberto Fechado
Espaço Tempo
Aberto Fechado
Espaço
Tempo
Aberto
Fechado
Espaço
Temmmmm : poooooooo
--------------------------
( )
Espaço aberto
Tempo fechado
Flavio
Onde tudo era perfeito
Nada é muito quente nem muito frio
Tudo o que desejar, estende-se a mão que vira
Não a cheiro ruim
Todas as noticias são boas
Ninguém chora de tristeza
Ninguém tropeça na pedra
Rir é pratica constante
As crianças são bonitas e felizes
Todos os homens são bonitos
Todas as mulheres são bonitas
Porem eles não conhecem a beleza
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Milena de Andrade - 04/10/2007
As coisas íam mal desde o começo do ano e ela ainda atribuía todas as desgraças ao seu ano astral. Havia se consultado com Amanda Costa e o resultado não havia sido dos melhores. Mas lutava. Sem namorado, amigo ou alguém interessante para jogar conversa fora, ela passava as noites sozinha em seu apartamento. Gostava de peixes e por isso tinha um enorme aquário na sala e a decoração do lugar era baseada em fundo do mar e coisa e tal.
As cartas que eram depositadas na caixinha do correio eram de cobrança, de políticos pedindo votos e da antiga inquilina que nunca mudara o endereço. O mesmo acontecia com os telefonemas. Uns de engano, outros de parentes querendo saber de sua vida, cobranças e uma vez ou outra alguma amiga ou amigo distante ligava pra dizer um 'oi'. Era chato viver assim.
Voltando do trabalho e cansada, decidiu tomar café na padaria perto de casa pra não ter que fazer a própria comida sozinha. Jantou, assistiu ao noticiário e na hora de ir embora foi surpreendida por um jovem senhor que também fazia o mesmo. Conversaram, trocaram sorrisos, olhares e por fim um beijo. Houveram as mesmas promessas de encontros futuros e troca de telefones. Mas nem tudo era tão feliz assim. Ele era de outra cidade e estava ali apenas por um mês mas prometeu que voltariam a ser ver enquanto ele permanecesse na cidade. Ao chegar em casa Alice descobre que cortaram sua linha por falta de pagamento e que estaria "incomunicável". Tratou de comprar um cartão telefônico e manter contato com João Victor, mas o que era pra ser feliz tornou-se frustrante. O vôo de João foi antecipado para o dia seguinte e Alice perdeu a linha por falta de pagamento. E nunca mais se encontraram novamente.