quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Milena de Andrade - 04/10/2007

Sem título

As coisas íam mal desde o começo do ano e ela ainda atribuía todas as desgraças ao seu ano astral. Havia se consultado com Amanda Costa e o resultado não havia sido dos melhores. Mas lutava. Sem namorado, amigo ou alguém interessante para jogar conversa fora, ela passava as noites sozinha em seu apartamento. Gostava de peixes e por isso tinha um enorme aquário na sala e a decoração do lugar era baseada em fundo do mar e coisa e tal.
As cartas que eram depositadas na caixinha do correio eram de cobrança, de políticos pedindo votos e da antiga inquilina que nunca mudara o endereço. O mesmo acontecia com os telefonemas. Uns de engano, outros de parentes querendo saber de sua vida, cobranças e uma vez ou outra alguma amiga ou amigo distante ligava pra dizer um 'oi'. Era chato viver assim.
Voltando do trabalho e cansada, decidiu tomar café na padaria perto de casa pra não ter que fazer a própria comida sozinha. Jantou, assistiu ao noticiário e na hora de ir embora foi surpreendida por um jovem senhor que também fazia o mesmo. Conversaram, trocaram sorrisos, olhares e por fim um beijo. Houveram as mesmas promessas de encontros futuros e troca de telefones. Mas nem tudo era tão feliz assim. Ele era de outra cidade e estava ali apenas por um mês mas prometeu que voltariam a ser ver enquanto ele permanecesse na cidade. Ao chegar em casa Alice descobre que cortaram sua linha por falta de pagamento e que estaria "incomunicável". Tratou de comprar um cartão telefônico e manter contato com João Victor, mas o que era pra ser feliz tornou-se frustrante. O vôo de João foi antecipado para o dia seguinte e Alice perdeu a linha por falta de pagamento. E nunca mais se encontraram novamente.

3 comentários:

Anônimo disse...

tem uma solidão triste que lembra a Alice do Filme Closer, lembrei porque assisti recentemente, pelo mesno nimguém mata nimguém como ja é de praxe nas historias da turma massssssssa (flavio)

Anônimo disse...

Milena,

Sua história lembrou-me uma passagem da minha vida. apenas a decoração não tinha nada haver com o mar, mas as promessas de retorno de ligação eram reias e nunca cumpridas.
É triste, mas é a realidade de muita gente.
Muito bom. Parabéns!
(Lúcia)

Anônimo disse...

sem palavras