quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Maria Eduarda Neves
Vários bisquits cafonas enfeitavam a prateleira de mogno frutos de suas viagens guardadas em álbuns de fotografia que estavam no baú carcomido pelas traças que devoraram lembranças de tempos que nunca vão voltar tempo de amores não vividos, cartas embaladas em laço de cetim guardadas na caixinha de bijouteria na segunda gaveta do criado mudo ao lado da cama que um dia foi de sua falecida bisavó portuguesa que usava xales enormes e fedorentos cheios de broches antigos de santos iguais àqueles que estavam no altar que sua mãe tinha feito em memória dos entes queridos que partiram dessa pra uma melhor e eram tão amáveis com sua pequena que brincava nos corredores do velho casarão em péssimo estado numa rua que já foi gloriosa em outros tempos mas agora só abriga casebres e bares de bêbados imundos que deixam ligado sons hediondos na rua justo na hora em que ela gostava de ler um desses romances de que ela comprava na barraca do Seu Silva que era casado com a menina que fazia faxina na sua casa toda terça feira pela tarde e que todas as vezes antes de ir embora comentava que uma onda de gripe assolava pelo bairro que agora alem dos casebres e dos bares de bêbados imundos tinha uma relojoaria de uma velha que falava ofegante que tem em sua casinha uma prateleira de mogno com vários bisquits cafonas.
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Um comentário:
Vida longa aos bisquits cafonas!
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