sábado, 13 de outubro de 2007

Maria Eduarda Neves

Impressões (Entorno do Pátio de São Pedro às vésperas da festa do Carmo)


As cores, os cheiros (nem sempre tão agradáveis!), as figuras inusitadas como uma senhora pedinte maquiada com a boca banguela escancarada num sorriso. Relíquias escondidas nos becos, como uma capa de vinil ilustrada por Virgulino. O brilho dos materiais dentro de uma loja escura, onde o escuro engole as formas das coisas. Um bêbado sujo tentando dormir na calçada quente. O parquinho que dorme de manhã. Os “tiro ao Álvaro” que nem Adoniran resistiria. O amontoado de coisas o amontoado de igrejas o amontoado de lojas o amontoado de pessoas. Essas ruas me deram a imagem de cenas de livros de Rachel e Graciliano, sem deixar de mostrar a vida independente que as ruas têm, como em O Cortiço. As idéias quentes do grupo ao sol. O carrossel parado que jamais está imóvel. A enxurrada de relógios contrária a atemporalidade que o cenário sugere.

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