sábado, 13 de outubro de 2007

Maria Eduarda Neves

Quadros desbotados enfeitavam a parede, a casa fedia como gatos mortos, morcegos vagueavam entre os vãos da casa, a luz pendia no teto, titubeaaanteee (mais uma vez não pagou a conta de luz), os grilos cantavam no jardim lodoso, o vento uivava melancólico indicando chuva, o tic-tac tenso do relógio avisava que estava perto da hora do jantar, o rangido da escada denunciava os passos de Leonice que colocava seu xale rasgado para ir comprar pão:

- Dona Georgina, o pão du armário ta véio, vô lá im Biu.

Mas a resposta era a mesma de quando avisou que o baú empoeirado da patroa estava tomado por traças: pigarro e barulho dos dedos de marcassita batendo as cinzas do cigarro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu acho que vou ficar assim quando velha.
haiuhaiuhaiuah

Sei lá porque...


Milena