quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Lúcia Helena

Sem Título

O carro quebrou na subida do viaduto.
Um amigo prestou socorro.
A rua estava movimentada.
Houve um grande congestionamento na via principal.
Um acidente gerou toda a confusão.
A cidade ficou isolada.
O médico não conseguiu chegar a tempo.
Uma criança está ferida.
A ambulância está impedida de avançar.
Ainda é manhã quando tudo acontece.
Minha amiga, Cris, me espera no Shopping Sul.
Estou cansada de toda essa confusão.
Todo dia tudo se repete.
Pensou Mariana, enquanto se arrumava para o trabalho.Pensou Mariana, enquanto se arrumava para o trabalho.

Todos os dias a mesma coisa, o rádio noticia o caos em que está a cidade e a dificuldade que ela terá de enfrentar para cumprir os seus compromissos, inclusive o de encontrar-se com Cris, sua melhor amiga.

Mariana é uma jovem bonita, de longos cabelos castanhos acobreados, que emoldura um rosto de estrutura perfeita e delicada. Aos 25 anos, formada em Administração de empresas, conseguiu sua independência financeira ao ser contratada por uma empresa multinacional, para o cargo de superintendente de recursos humanos. Filha caçula de uma família de quatro irmãos conquistou o direito de morar sozinha graças ao apoio de seu irmão mais novo, Toni.

A família de Mariana não é rica, mas todos têm boa formação e receberam uma boa educação doméstica. Seus pais, Seu Romeu e dona Anita, são pessoas simples, e apesar da idade possuem uma mente muito avançada para o seu tempo. Mesmo com as diferenças entre eles e seus filhos, sempre procuraram fazer o melhor para o futuro deles dando a todos muito carinho, atenção e conforto, razão pela qual não conseguiam entender o desejo de sua caçula em sair de casa para morar sozinha. Para D. Anita, a filha não gostava mais deles devia sentir vergonha dos pais, já idosos e da casa onde morava, visto que agora ela era uma alta executiva. Esses pensamentos estavam deixando o clima na casa de Mariana cada vez mais pesado e a tristeza era muito evidente.

Graças à perspicácia e a atitude de Toni, que percebera o que estava se passando com os pais e Mariana, ele conseguiu, ao seu jeito, mostrar aos pais que eles estavam enganados, que essa fora a forma que Mariana pensara para amadurecer e crescer com indivíduo, buscando se tornar mais eficiente na sua vida profissional. Como ela poderia ajudar ou resolver os problemas de sua área – Recursos Humanos – se ela não tinha nenhum problema na vida a não ser a boa convivência com a família? Como entender quem não tinha família e não conseguia se ajustar ao trabalho, se esse era um universo nunca imaginado ou vivenciado por ela? Com esses argumentos e outros mais dramáticos, nem todos verdadeiros, ele conseguiu convencer a família de que o desejo de Mariana era algo importante para seu futuro. Enfim todos concordaram, e a ajudaram em seu projeto de vida.

Dessa forma, hoje, Mariana se prepara para mais um dia de grandes compromissos e de trânsito infernal em sua cidade.

Devido ao acidente na via principal, Dr. André, um respeitável médico do Hospital de Urgências da cidade, referência para os demais hospitais, enfrenta o problema de como chegar a tempo para seu plantão, pois todos os acessos estão bloqueados por conta do acidente.

Enquanto pensava em suas dificuldades, percebeu a dificuldade que a ambulância estava tendo para se aproximar do local onde as vítimas se encontravam, foi então que ele notou que estava bem mais perto, imediatamente colocou o carro sobre uma calçada para livrar a passagem e saiu em direção aos feridos. Ao chegar, constatou que se tratava de uma mulher e duas crianças, onde os meninos choravam muito, mais pelo susto do que por ferimentos. De imediato ele percebeu que o garoto mais velho estava segurando o braço esquerdo, como se este não pudesse se mover, ele cuidadosamente, como todos os médicos dedicados fazem, retirou a criança do carro e ajudou a colocar uma tipóia improvisada, acalmando o garoto que logo parou de chorar e pediu para ele ajudar sua mãe. André vendo que ela esta desacordada, priorizou o atendimento ao outro garoto, que embora não tivesse nenhum ferimento aparente, não parava de chorar. Acalmado o segundo garoto e colocado junto do irmão, André foi verificar a situação da mãe, nesse momento a ambulância, enfim, chegou ao local do acidente.
Após chegar ao Hospital, André descobriu que a mãe dos garotos se chamava Cristina ou Cris, como os amigos a chamavam. Cris estava indo levar os filhos para a escola e depois ia se encontrar com sua amiga Mariana, para quem, ela pedira aos médicos para avisar do acidente e de onde ela se encontrava.

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